O livreiro Sérgio Alves Moreira, que participou na organização do assalto ao barco Santa Maria, faleceu quarta-feira, aos 77 anos, em Caracas, vítima de doença prolongada, disse à Lusa fonte próxima da família, noticia a Lusa.

Natural de Espinho, Sérgio Alvez Moreira, faleceu no Hospital Universitário de Caracas, onde foi internado há três semanas devido ao agravamento do seu estado de saúde.

Sérgio Alvez Moreira era proprietário de uma livraria no Centro Comercial Los Chaguaramos, a sul de Caracas, que privilegiava a literatura portuguesa e os autores portugueses traduzidos em castelhano.

Membro activo do Instituto Português de Cultura, deu aulas no Liceu Cajigal da cidade de Barcelona (400 quilómetros a leste de Caracas) onde contactou com um numeroso grupo de opositores do regime português de Oliveira de Salazar, que promoveram a deslocação a Caracas do capitão Henrique Galvão para se reunir com o general português Humberto Delgado.

O encontro entre ambos, com a participação de Sérgio Moreira, realizou-se a 3 de Abril de 1960 no Hotel Tamanaco, em Caracas, e permitiu avançar com acções para afectar a imagem internacional do regime salazarista.

Afronta ao regime

Sérgio Alves Moreira participou activamente na organização da Operação Dulcineia, que dirigida pelo capitão Henrique Galvão, consistiu na captura e desvio do navio português Santa Maria com todos os passageiros a bordo, numa afronta ao regime totalitário salazarista.

Durante dois meses e meio, Sérgio Alves Moreira recebeu instrução militar, treino físico, orientação nocturna e formação ideológica em La Guaira, no estado venezuelano de Vargas, 20 quilómetros a norte de Caracas. Sérgio Alves foi mesmo nomeado «chefe de estágio» pelo capitão Henrique Galvão.

O assalto ocorreu na noite de 22 para 23 de Janeiro de 1961, mas algumas reticências fizeram com que Sérgio Alves Moreira não participasse.

Foi realizado por 13 portugueses, 2 venezuelanos e 11 espanhóis que, na sua maioria, entraram no barco como turistas, escondendo entre as roupas armas que tinham sido compradas clandestinamente e que pertenciam às Forças Armadas Venezuelanas, roubadas durante um assalto a um quartel da polícia, em Caracas, a 7 de Agosto de 1958.

O Santa Maria partiu de La Guaria com 509 passageiros a bordo rumo ao Curaçau, Miami, Tenerife e Lisboa.

Pouco depois de abandonar o porto de Willemstad, em Curaçau, foi desviado para o Brasil.