Os Bombeiros de Monção estão em greve, a partir do meio-dia desta terça-feira, não assegurando «qualquer serviço de socorro» no concelho, por causa de salários em atraso desde março, informou à Lusa o comandante da corporação.

«Perante esta situação foi decidido, em reunião geral de bombeiros que a partir do dia 13 de maio de 2014 não haverá disponibilidade para qualquer serviço de socorro», lê-se no comunicado emitido pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Monção (AHBVM), a que a Lusa teve acesso.

Os bombeiros garantem que o serviço de INEM será «assegurado na totalidade», mas socorro no concelho, esclarecem, «terá que ser garantido em exclusividade pela proteção civil municipal ou pelo Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS)».

O comandante José Passos explicou à Lusa que a greve se manterá por tempo indeterminado, «até que a situação seja regularizada».

A direção da corporação demitiu-se, em bloco, no início deste mês, alegando um diferendo com o comando.

Posteriormente, após uma reunião com a Câmara local e o Comandante Operacional Distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Viana do Castelo, comprometeu-se a permanecer em funções até ao dia 17.

Para essa data está prevista uma Assembleia-Geral de onde deverá sair uma comissão interina para gerir a corporação até à realização de eleições, a marcar nessa reunião.

Os bombeiros acusam a direção demissionária de «ter recebido quantias do Centro Hospitalar do Alto Minho, do INEM e da Câmara Municipal» e não ter regularizado os salários. «Alegou um imprevisto de última hora e coisas mais importantes para resolver», lê-se ainda no comunicado.

A corporação adianta que há bombeiros «em situação precária», entre eles, «três famílias em que ambos os cônjuges trabalham na associação». «Existem bombeiros com prestações bancárias e rendas de casa em atraso, bombeiros com os carros parados por falta de gasolina», alegam.

A situação atinge um total de 24 assalariados mas a paralisação conta com a «solidariedade» dos voluntários, num total de 50 elementos.

A fase Bravo de combate a incêndios florestais, a segunda mais crítica, começa no próximo dia 15.

Ainda na semana passada em declarações à Lusa o presidente da Câmara garantiu que esta demissão não colocava em causa o socorro às populações do concelho.

«É isso que me preocupa mas garantiram-se que não está em causa o socorro às populações. Inclusive o Comandante Operacional Distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Viana do Castelo tranquilizou-se de que a demissão não vai descambar para situações anómalas até porque se aproxima o período quente de verão», explicou o socialista Augusto Domingues, responsável máximo da proteção civil municipal.

A direção agora em funções de gestão corrente foi eleita em junho de 2012 após quatro tentativas falhadas por falta de listas candidatas, devido às dificuldades financeiras que a corporação atravessa.

Só a dívida a fornecedores da corporação ascendia, no início do 2012, a mais de 280 mil euros, mas foi entretanto reduzida em 100 mil euros.