Algumas peregrinas no recinto do santuário de Fátima reclamaram um papel mais ativo da mulher na Igreja Católica, defendendo a sua ordenação como sacerdotes, mas admitindo que será preciso muito tempo e quase uma revolução para que tal aconteça, noticia a agência Lusa.

«É a Igreja, mas são sobretudo os homens da Igreja que têm o poder de decidir, por isso não espero que seja uma realidade muito em breve», disse à agência Lusa Helena Luís, de 38 anos, que veio do Porto para a peregrinação de outubro em Fátima.

No sábado, durante a convenção celebrada pelos 25 anos da carta apostólica «Mulieris Dignitatem» de João Paulo II sobre a mulher, o papa Francisco assegurou que «sofre» quando vê que na Igreja e nas organizações eclesiásticas se reduz o papel das mulheres apenas à «servidão».

O Papa explicou que é necessária uma reflexão de toda a Igreja «para dar maior valor à presença das mulheres».

«Era preciso mudar as bases da Igreja, quase uma revolução», admitiu Orquídea Ribeiro, de 45 anos, oriunda em Guimarães, reportando-se á possibilidade das mulheres serem ordenadas padres.

A mãe, Emília Ribeiro, de 71 anos, sentada ao lado, também no recinto do Santuário de Fátima, concordou que esta seria uma 'empresa' «difícil», mas «justa».

Já Carminda Silva, de 56 anos, peregrina de Santa Maria da Feira, defendeu que, «ao menos com a falta de padres que existe devia pensar-se mais nas mulheres e no que elas podem fazer».

O problema, contudo, ressalvou, «é que as jovens de hoje também não estão para aí viradas» e, por isso, concluiu, «é claro que as coisas vão ficar assim por muito tempo».