O programa «Saúde para Todos» do Instituto Marquês de Valle Flôr realizou, em quatro anos, mais de 5.000 consultas médicas na especialidade de oftalmologia, em S. Tomé e Príncipe, anunciou esta quinta-feira a organização não-governamental portuguesa.

O balanço do trabalho feito, gratuitamente, em S. Tomé e Príncipe, onde não existem oftalmologistas, vai ser apresentado no Congresso Mundial de Oftalmologia, que decorre até domingo, em Tóquio.

Nos últimos quatro anos, a equipa de oftalmologia do programa «Saúde para Todos» fez 12 missões, nas quais efetuou 5.688 consultas médicas, 846 consultas de enfermagem e 859 cirurgias.

Entre 2014 e 2015 estão previstas três missões de 15 dias, com a meta, cada uma, de atingir 600 consultas e 100 cirurgias.

A próxima missão tem início marcado para 31 de maio.

Um dos médicos que compõem a equipa, António Melo, disse à agência Lusa que o trabalho é feito gratuitamente, com «a grande maioria» das situações a ser resolvida «a tempo», numa camada da população relativamente jovem, entre crianças e adultos dos 30 aos 50 anos.

A equipa de oftalmologia do programa «Saúde para Todos», formada por quatro oftalmologistas e dois enfermeiros, tem procurado evitar ou diminuir a perda de visão dos são-tomenses, atuando em doenças como as cataratas, o glaucoma, os traumatismos oculares ou a retinopatia diabética.

António Melo, diretor do serviço de oftalmologia do Hospital Amadora-Sintra, justificou a importância da intervenção médica com o facto de S. Tomé e Príncipe não ter oftalmologistas e de os doentes poderem receber cuidados sem terem que se deslocar a Portugal, poupando-se custos.

O programa «Saúde para Todos» é desenvolvido em S. Tomé e Príncipe pelo Instituto Marquês de Valle Flôr, organização não-governamental portuguesa para o desenvolvimento, há 25 anos e cobre 20 especialidades.

Os cuidados oftalmológicos são prestados desde 2010.