O ex-Presidente da Câmara do Porto Rui Rio disse quarta-feira que a TAP não pode continuar a ser um sorvedouro de dinheiro e a acumular prejuízos e greves.

“A TAP não pode continuar a ser um sorvedouro de dinheiros públicos, nem pode continuar a acumular prejuízos e greves, porque isso é uma afronta ao contribuinte”, afirmou o economista em entrevista quarta-feira à noite à RTP3.

Sobre o atual acordo entre o Governo e a TAP, Rui Rio considerou que, a partir do momento que “encontra uma solução a meio caminho”, o Estado deve passar a ter uma palavra na definição estratégica da empresa.

“E a estratégia da TAP em termos de serviço público não pode ser nunca abandonar ou tornar pequenino o aeroporto Sá Carneiro [Porto]. Isso eu considero inadmissível”, sublinhou.

Nas declarações à RTP, Rui Rio sublinhou que Portugal nunca será “equilibrado” se continuar a centralizar as coisas em torno de Lisboa.

 

Banif: "Portugal tem o direito de saber o que se passou"

 

O antigo presidente da Câmara do Porto afirmou ainda que Portugal tem o direito de saber o que se passou com o Banif e defendeu que tem de haver responsáveis pelas “coisas más” que aconteceram.

Rui Rio disse que não consegue entender o que se passou com o Banif, que em setembro tinha uma situação líquida positiva de 675 milhões de euros.

“Se estas contas não estão bem, se este ativo não tem este valor, mas tem menos, é porque está sobreavaliado, é porque os auditores auditaram não estas contas, mas as de junho, que são praticamente iguais, ou o Banco de Portugal, que acompanhava isto, estava a aceitar aquilo que sabia que estava mal”, afirmou Rui Rio.

Para o ex-autarca, “se estas contas não estão certas, a primeira responsabilidade é desde logo do Ministério das Finanças e do Banco de Portugal” e "Portugal tem o direito de saber o que se passou".

“Num fim de semana, o banco foi desmantelado, vendido às peças, sem qualquer espécie de concurso público e os portugueses ainda vão pagar 2,2 mil milhões de euros”, afirmou, acrescentando ser uma situação “absolutamente inadmissível”.

Segundo Rui Rio, “coisas más” passaram-se e “é óbvio, porque o resultado é catastrófico para todos”.

“A comissão de inquérito parlamentar tem condições para perceber porquê que as coisas foram assim”, disse, qualificando o exercício do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, de “má”.

Na entrevista, entre outros temas, como o Novo Banco, Rui Rio disse concordar "com as linhas gerais" do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), "mas não com o ritmo" ou "com a dose".

"Fazem isso numa dose muito elevada", disse Rio, referindo-se às devoluções de cortes, salientando que o OE2016 tem um "desenho que permite que corra bem, mas que também permite que corra mal".

 

Rui Rio não confirma presença no congresso do PSD

 

O antigo Presidente da Câmara do Porto Rui Rio disse não saber se vai ao congresso do PSD, a realizar em abril, sublinhando que a sua eventual ausência “não é um caso”.

“Não sei ainda se estou em Portugal. Se não tiver, não vou. Se estiver, poderei ir ou não, mas é um não caso. Se for, não é para demonstrar nada, e se for, não é para demonstrar nada”, explicou o economista.

O PSD realiza o seu 36.º congresso em Espinho, entre 01 e 03 de abril.

Rui Rio já foi várias vezes apontado para a liderança do partido social-democrata.