O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, mostrou-se, quinta-feira à noite, contra debates sobre a regionalização durante campanhas eleitorais, pelo risco de serem «inquinados» por «questões partidárias».

Rui Rio falou no início de mais um debate promovido pela Câmara Municipal do Porto no âmbito da regionalização, em resposta à sugestão de uma «grande conferência interpartidária» sobre a questão, apresentada quinta-feira pelo presidente da Assembleia da República.

«É precisamente o que tenho estado a fazer de há uns meses para cá, é fazer uma discussão mais alargada», recordou Rui Rio que, desde Junho de 2008, promoveu no Porto uma série de debates sobre a regionalização que terminam a 02 de Abril.

Caso mantivesse estes debates por mais tempo, «começava a inquiná-los com questões de campanha eleitoral dos diversos partidos, o que seria mau», sustentou Rui Rio.

No debate intitulado «A regionalização, não!», que decorreu quinta-feira à noite na Biblioteca Almeida Garrett, Porto, participaram Artur Santos Silva, Daniel Proença de Carvalho e Rui Vilar, que enumeraram várias razões contra uma divisão de Portugal em regiões administrativas, alegando que existem outras soluções para a actual crise económica.

Artur Santos Silva, fundador do PSD e do grupo BPI, argumentou que «não há tradição em Portugal» de divisão em regiões, pois «a dimensão do País não o justifica» e as regiões administrativas não resolvem as «diferenças entre litoral e interior», provocando «mais burocracia».

«O grande desafio que temos pela frente é refundar a república», frisou Santos Silva, acrescentando que a actual conjuntura económica «é má altura para se fazer a discussão [sobre a regionalização]» porque «iria dividir muito a sociedade portuguesa».

Também Daniel Proença de Carvalho se manifestou contra, justificando-se com o tamanho de Portugal, comparando-o a «uma região espanhola», com o previsível aumento de «burocracia e custos» e com a ideia de que a regionalização vai «dividir os portugueses».

A regionalização «não é uma reforma consensual e uma reforma desta importância precisa de um consenso muito forte para ser levada a cabo, o que não existe», frisou o antigo administrador da RTP e ex-ministro da Comunicação Social.

Para Proença de Carvalho, que se assumiu como «antirregionalista convicto», em causa está também «a criação de regiões políticas, e não administrativas» com a consequência de «cinco, seis ou mais governos, parlamentos regionais, mais burocracia e custos».

Artur Vilar, antigo presidente da CGD, apontou a «metropolinização», e o reforço da competitividade dos grandes centros de Lisboa e Porto, como alternativa à regionalização e solução para a actual conjuntura económica e social do País.