Tem 29 anos, mas é o responsável pela maior dor de cabeça do Benfica. Rui Pinto é apontado como o hacker responsável por ter roubado os segredos do clube da Luz e, nos últimos seis anos, o seu nome esteve presente na maioria dos processos judiciais que envolvem não só o Benfica como também o Sporting e a Doyen Investment Sports.

A identidade do hacker foi revelada, esta quinta-feira, pela revista Sábado e traz vários pormenores sobre o suspeito, o mesmo que há dois anos foi notícia em vários sites internacionais por causa do escândalo Football Leaks

A viver em Budapeste, na Hungria, o jovem natural de Gaia começou a sua vida como pirata informático em casa dos pais. A primeira vez que o seu nome surgiu associado à pirataria informática foi, precisamente, com a fuga de informação sobre contratos e utilização de offshores para fazer circular o dinheiro. 

O seu nome consta do processo do Football Leaks e agora é o único suspeito de ter roubado os emails do Benfica e ter arrasado com a reputação do clube da Luz ao divulgar milhares de emails que trouxeram a público o relacionamento de Luís Filipe Vieira com árbitros e altos responsáveis do futebol português.

No processo judicial que envolve Rui Pinto estão incluídos os vários processos de que é acusado: os emails do Benfica, as queixas da Doyen, e os segredos do Sporting, divulgados em 2015, ano em que começou a ser investigado em Portugal. Sobre ele recai a alegada autoria do ataque informático que levou à acusação do Benfica no caso e-toupeira e está acusado de 28 crimes de falsidade informática, um de corrupção ativa e outro de oferta ou recebimento indevido de vantagem, todos relacionados com um alegado esquema para influenciar resultados da Primeira Liga.

O nome de Rui Pinto surge agora depois de José Augusto Silva, funcionário judicial e arguido do caso e-Toupeira, ter consultado o processo e ter passado a informação a Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD do Benfica.

A investigação está a cargo de uma equipa especial do Ministério Público, criada no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, para investigar os principais processos do futebol.

Apesar de estar a ser investigado agora, a vida de Rui Pinto na pirataria começou bem mais cedo. Aos 23 anos, o jovem foi interrogado por um desfalque de 270 mil euros ao Caledonian Bank, sediado nas Ilhas Caimão, caso em que foi defendido pelo advogado Aníbal Pinto, que segundo a sábado também foi um dos suspeitos de co-autoria de alguns crimes como acesso ilegítimo e extorsão.