O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, reuniu-se na noite de quinta-feira com Humberto Pedrosa, empresário que lidera o consórcio Gateway, que detém 50% da TAP.

De acordo com a Câmara do Porto, a reunião decorreu em Lisboa, a pedido de Humberto Pedrosa.

“O teor das conversas não é conhecido, mas Rui Moreira tem já agendadas outras importantes reuniões para a próxima semana e, como prometeu, não deixará a defesa dos interesses da cidade e da região”, refere a autarquia, em comunicado.

O autarca independente tem sido muito crítico nas últimas semanas em relação à supressão de quatro voos de médio curso (Europa) da TAP de e para o Porto, a partir de 27 de março, anunciada pela companhia aérea nacional a 18 de janeiro.

Na reunião do executivo de quarta-feira, Moreira admitiu apelar ao boicote da região à TAP, acusando a transportadora de ter em curso uma estratégia para “destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro”, com vista a construir em Lisboa “um novo aeroporto e uma nova ponte”.

“A estratégia da TAP é um insulto à cidade do Porto e uma tentativa de destruir o aeroporto para construir um novo aeroporto, uma nova ponte e uma nova Expo [em Lisboa]. Isto é um problema de regime. Temos sido uns carneiros e temo-nos iludido com promessas sucessivas. O TGV vai acabar por ser Lisboa-Madrid. A terceira ponte [sobre o Tejo] é um grande objetivo do regime”, afirmou Rui Moreira.

Para segunda-feira está já agendada uma reunião entre a administração da TAP e os autarcas da Área Metropolitana do Porto (AMP), que contará com a presença de Humberto Pedrosa e do presidente da comissão executiva da TAP, Fernando Pinto, para abordar esta questão.

A autarquia recorda ainda que, na quarta-feira, Moreira afirmou ter “todo o gosto e interesse em reunir-se com os acionistas privados", mas que “é do Governo” que espera respostas.

O ministro do Planeamento, Infraestruturas e Transportes, Pedro Marques, remeteu na quinta-feira para o Conselho Executivo da TAP a resposta à ameaça de boicote pelo presidente da Câmara do Porto na sequência de alterações de rotas que servem esta cidade.

Já no parlamento, à tarde, o ministro afirmou que o consórcio Atlantic Gateway está disponível para reforçar o diálogo com agentes económicos e autarcas da região.

Pedro Marques transmitiu esta informação aos deputados na Assembleia da República, durante um debate de urgência requerido pelo PSD sobre as alterações ao contrato de privatização da TAP, com as quais o Estado passou a deter 50% da empresa.