As perícias efetuadas às roupas de João Gouveia, o único sobrevivente da tragédia do Meco, detetaram apenas vestígios de algas de água doce e não de água salgada.

Os exames foram pedidos pelas famílias das vítimas, já na fase de instrução, e foram efetuados pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Para as famílias das seis vítimas, esta é a confirmação de que o Dux da Lusófona nunca esteve no mar na noite da tragédia.

Em concreto, foram analisados um par de calças pretas,uma gravata, um colete, um barrete e um par de sapatos. Concluiu-se que as únicas diatomáceas (vestígios) encontradas eram de água doce e não de água salgada, disse à TVI o advogado das famílias das vítimas, João Parente Ribeiro:

«Não há sinais evidentes, claros, de que essa roupa esteve em contacto com a água do mar. Por outro lado, há um sinal de que essa roupa esteve, sim, em contacto com água doce. (...) Quando se entrega roupa três meses depois, ainda molhada, como é que nestes exames a únicas diatomáceas encontradas são de água doce e não se água salgada? É outra das questões»


Num sapato de João Gouveia, havia lama. A pergunta que se impõe para as famílias é como é que alguém que esteve dentro do mar tem lama no sapato.

Estas revelações são feitas na véspera do início do debate instrutório. Para além de João Gouveia,  vão ser ouvidas três testemunhas esta segunda-feira, no Tribunal de Setúbal.

João Gouveia é o único arguido do processo e também o único sobrevivente da tragédia que causou a morte dos seis jovens, dois do sexo masculino e quatro do sexo feminino, na praia do Meco, concelho de Sesimbra, no distrito de Setúbal. 

O inquérito instaurado na sequência da morte dos seis alunos da Universidade Lusófona de Lisboa tinha sido arquivado pelo procurador do Ministério Público do Tribunal da Almada, mas o advogado das famílias das vítimas pediu a abertura de instrução, pretensão acolhida por um juiz do Tribunal de Setúbal. 

Em novembro do ano passado, Vítor Parente Ribeiro avançou com um incidente de recusa do juiz de instrução do processo, por alegada proximidade entre este magistrado e o procurador da República que arquivou o inquérito, pretensão que foi recusada pelo Tribunal da Relação de Évora. 

Embora ainda tivessem a possibilidade de recorrer da decisão, os familiares decidiram aceitar a decisão do Tribunal da Relação de Évora e prescindir dos 30 dias que tinham para apresentar recurso, o que permitiu ao juiz do processo, Nélson Escórcio, marcar o debate instrutório para este dia 2 de fevereiro.