Só este ano já foram assaltadas 149 caixas multibanco de norte a sul do país. O último assalto ocorreu, esta quarta-feira de madrugada, no Pragal, em Almada, e acabou de forma trágica, com a polícia a matar por engano uma mulher que não estava relacionada com os assaltantes.

A vítima mortal, atingida no pescoço pela PSP, foi abatida depois de a viatura em que seguia ter sido confundida durante uma perseguição policial com uma outra utilizada pelos assaltantes. O carro efetivamente utilizado no assalto à caixa multibanco no Pragal acabou depois por ser apreendido pelas autoridadespor volta das 10:40, perto do Centro Comercial Alegro, na zona da Azeda, Setúbal.

Os roubos a multibancos são um crime da competência da Polícia Judiciária (PJ), que tem tentado nos últimos meses recolher provas para identificar os suspeitos dos assaltos.

Na grande maioria, as caixas multibanco são escolhidas por estarem isoladas e rebentadas com recurso a gás. Um dos casos mais recentes aconteceu a 10 de novembro em Nine, Vila Nova de Famalicão e a explosão destruiu a dependência bancária em que estava instalada. O mesmo aconteceu no dia 5 de outubro em Maceira, Leiria, num assalto com um modus operandi e consequências invulgares: a explosão não só destruiu a agência inteira, como provocou um pequeno incêndio. 

Alguns suspeitos deste tipo de assalto já enfrentaram as autoridades. É o caso do gangue do multibanco de Coimbra. A 4 de agosto, a PJ deteve os três indivíduos do grupo, considerados violentos, presumíveis autores de várias explosões em caixas multibanco, ocorridas entre agosto e outubro de 2016 nas localidades de Coimbra, Condeixa-a-Nova, Alvaiázere e Figueira da Foz. Dois dos suspeitos ficaram sujeitos a apresentações periódicas e o terceiro foi constituído arguido e ficou em prisão domiciliária.

Mas a maior parte dos assaltantes acaba por escapar às autoridades e alguns até lançam mão de recursos mais ou menos engenhosos para conseguir fugir, como aconteceu no fim de semana passado quando três caixas multibanco foram assaltadas em Barcelos, Esposende e Vila Nova de Gaia. No assalto de Esposende, a patrulha da GNR ainda se cruzou com os assaltantes, que abriram um extintor na direção da viatura policial para intoxicar os militares durante a fuga. Dois elementos da GNR foram levados para o hospital de Barcelos na sequência disso.

Em muitos dos assaltos a multibancos, os suspeitos atuam encapuzados, como aconteceu no sábado nas Caldas Rainha ou no dia 6 de setembro em Massamá, Sintra. Em alguns casos, os suspeitos também atuam armados, como sucedeu por exemplo, a 10 de outubro, em Matosinhos e Gondomar.