Os três cidadãos italianos acusados de roubarem relógios de luxo a automobilistas que circulavam nas zonas das Amoreiras, Marquês de Pombal, Avenida Fontes Pereira de Melo e Saldanha, em Lisboa, remeteram-se esta quinta-feira ao silêncio em tribunal.

Na primeira sessão de julgamento, que decorre na 6.ª Vara Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, os arguidos, dois comerciais e um fotógrafo, todos na casa dos 40 anos, optaram por não prestar declarações.

Na manhã de hoje foi inquirido um economista e uma arquiteta, duas das alegadas vítimas, que relataram os episódios de violência por si vividos, mas ambas disseram ao coletivo de juízes que não reconheciam nenhum dos arguidos.

Os dois ofendidos contaram versões idênticas do modo de atuação dos agressores, os quais, usando motociclos, empurravam o espelho retrovisor dos carros e, no momento em que as vítimas tentavam recolocar o espelho, eram agarradas no pulso, de onde os suspeitos arrancavam os relógios.

O tribunal ouviu também um empresário que disse conhecer um dos arguidos por este alugar regularmente viaturas no seu local de trabalho.

O julgamento continua da parte da tarde com a inquirição de mais testemunhas.

Os três arguidos estão em prisão preventiva ao abrigo do processo e respondem por nove crimes de roubo alegadamente praticados entre 23 de julho de 2012 e 14 de março de 2013, dia em que foram detidos em flagrante delito pela PSP, no túnel do Marquês de Pombal.

Os homens eram oriundos de Nápoles, Itália, país de onde viajavam propositadamente para a capital portuguesa a fim de praticarem os delitos.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, os arguidos «transportavam de avião os motociclos utilizados nos assaltos e alugavam viaturas para se deslocarem e não serem localizados».

O suposto plano prosseguia depois na «perseguição dos lesados ao longo de várias ruas e avenidas de Lisboa, ou na abordagem brusca das vítimas em centros comerciais ou parques automóveis, obrigando-os a entregarem relógios de valor elevado».