Um carteiro acusado de desviar correspondência com cartões bancários e respetivos códigos secretos, apropriando-se indevidamente de mais de 50 mil euros, escusou-se a depor perante as Varas Criminais do Porto na primeira audiência do seu julgamento.

O advogado de defesa, Franklim Ferreira, disse acreditar que a estratégia utilizada pelo arguido, de não falar, «foi a mais adequada» e mostrou uma «total confiança nos tribunais portugueses».

Segundo a agência Lusa, o homem, de 48 anos, está acusado, pelo Ministério Público (MP), pelos crimes continuados de abuso de cartão de garantia, burla informática e violação de segredo de correspondência.

Durante a audiência da manhã de hoje foram ouvidas oito testemunhas, que confirmaram terem sido vítimas de levantamentos abusivos com cartões bancários de crédito e de débito emitidos em seus nomes e que, na maioria dos casos, nem chegaram a ter em mãos.

Os factos em julgamento são relativos ao período compreendido entre junho de 2007 e novembro de 2008, altura em que o arguido era responsável pela distribuição de cartas na zona postal 4300 e 4350, no Porto. Altura em que, alegadamente, se apropriou indevidamente de mais de 30 cartões, indica a acusação.

«Apercebendo-se que as instituições bancárias enviavam aos seus clientes, por via postal, os cartões bancários de crédito e os de débito, bem como os respetivos códigos secretos/PIN, o arguido formulou o propósito de se apoderar das cartas que contivessem cartões bancários e os seus códigos, proceder à sua abertura e utilizar os cartões bancários e códigos em proveito próprio», descreve o MP.

Com essa conduta, o carteiro terá conseguido levantar em terminais multibanco 3.750 euros com os cartões de débito e 49.490 euros com os cartões de crédito enviados por correio pelas instituições bancárias e que, alegadamente, não lhe pertenciam.

O julgamento prossegue na tarde de hoje e na de 03 de dezembro, altura em que o tribunal prevê ouvir agentes envolvidos na investigação do caso.