Inaugurado em 1904, o Elétrico liga Sintra à Praia das Maçãs. A primeira paragem é no Café do Salvador, que todos os dias faz questão de dar as boas novas do clube do coração.

Até à praia são 13 quilómetros, 45 minutos, oito apeadeiros e um verdadeiro mergulho na história.

Connosco viaja um dos guarda-freios do Elétrico de Sintra que nos conta que foi construído para transportar pessoas e bens. Há mais um século, o vinho de Colares viajava nestas composições.

A viagem custa 3 euros, é feita sobretudo por turistas. No ano passado, foi feita por 20 mil pessoas, este ano o número será seguramente ultrapassado.

A viagem é estonteante, pela beleza da Serra de Sintra, as muitas quintas e palácios que se nos apresentam. À medida que nos aproximamos do mar, a cacimba tão típica da região. Sintra é tão bonita que até o inverno aqui vem passar férias. A frase é de Alexandre O’Neill e cabe que nem uma luva no dia de hoje.

Chegamos à Praia das Maçãs.

O nome vem da ribeira que aqui desagua, a Ribeira de Colares, zona rica em quintas e pomares. Antigamente, a força das águas arrastava para aqui centenas de maçãs.

Regressamos a Sintra, cenário de tantos clássicos da literatura. Terra mística e inspiradora. E de histórias doces também.

Na fábrica da Piriquita adoçam-se as bocas de quem visita Sintra. Aqui produzem-se mais de 3 mil queijadas e 4 mil travesseiros por dia.

A receita das queijadas está na família há 5 gerações. Foi fundada em 1862, como padaria. Guloso, o Rei D. Carlos deu à fundadora Constância Gomes a receita das queijadas. Deu também a Constância uma alcunha, Piriquita, pela sua baixa estatura e assim deu nome a uma das casas de doces mais reconhecida em todo o mundo. Mais tarde, foram as grandes guerras mundiais e a escassez de matérias-primas que dariam origem à criação dos travesseiros, ex-libris da Piriquita e de Sintra