Ganha mais força a tese de homicídio do jovem Rodrigo Lapa, cujo cadáver foi encontrado esta quarta-feira de manhã a poucos metros da casa onde vivia com a mãe e uma irmã bebé. O corpo apresentava sinais de grande violência, marcas de agressões e de estrangulamento. O corpo não estava enterrado. Estava colocado junto a uma árvore e coberto com vegetação. A TVI apurou que o jovem estava sinalizado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens há cerca de cinco anos. 

De acordo com o que a TVI pode apurar, junto ao corpo não foram encontrados indícios de que a morte tivesse ocorrido no local onde foi encontrado. A PJ suspeita que a morte tenha ocorrido dentro da própria casa onde o rapaz vivia com a mãe. A Judiciária esteve cerca de uma hora e meia dentro da casa, primeiro com a mãe. Depois, a mãe regressou à PJ e os polícias ficaram sozinhos a concluir a perícia e já saíram entretanto.

Os inspetores dedicaram particular atenção a um pequeno anexo junto à casa. Recolheram vestígios dentro da casa, mas trouxeram também vestígios do terreno onde foi encontrado o corpo e tê-los-ão comparado com objetos que estariam dentro da habitação.

As suspeitas, de acordo com o que a TVI também conseguiu apurar, recaem sobre o padrasto, que viajou para o Brasil no dia em que foi comunicado o desaparecimento às autoridades.

A mãe do rapaz, Célia Barreto, diz que estava separada do padrasto e que não havia desavenças familiares, mas a PJ começa a desconfiar dessa versão. Amigos de Rodrigo dizem que não tinham conhecimento de uma eventual separação da mãe e do padrasto do jovem e garantem que o rapaz não tinha uma boa relação com o companheiro da mãe.

A TVI apurou ainda que o jovem estava sinalizado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens há cerca de cinco anos. Na altura, a guarda da criança era partilhada entre a mãe e o seu pai biológico.

Mãe ouvida como testemunha

Permanece também o mistério sobre o dia exato do desaparecimento de Rodrigo Lapa. A mãe diz que o filho saiu de casa às 07:00 de segunda-feira, para ir para a escola, e que nunca mais o viu.

Contudo, um colega de Rodrigo garante ter recebido uma mensagem na sexta-feira, do telemóvel do rapaz, a dizer que não iria à escola por se encontrar doente. Amigos do Rodrigo dizem que durante o fim de semana não terão sabido nada dele.

Rodrigo tinha uma relação conturbada com o pai, com quem foi viver após a separação dos pais. Regressou a casa da mãe, mas não teria então uma boa relação com o padrasto.

A mãe do jovem foi ouvida pelos inspetores da Polícia Judiciária “sempre na qualidade de testemunha”, disse à agência Lusa fonte policial.

De acordo com esta fonte, a mãe do menor foi inquirida várias vezes pela investigação nessa condição e não é neste momento suspeita no processo, tendo já regressado a sua casa após mais uma inquirição.

Corpo autopsiado na quinta-feira

O adolescente vai ser autopsiado na quinta-feira ao início da manhã, disse à Lusa fonte do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML).

De acordo com a mesma fonte, a autópsia ao jovem, vítima de homicídio, será realizada no Gabinete Médico-Legal e Forense do Barlavento, situado no complexo do hospital de Portimão, para onde o cadáver foi encaminhado.

A coordenadora daquele gabinete acompanhou as autoridades policiais nas diligências realizadas no local onde o corpo foi encontrado, logo pela manhã, fazendo uma primeira observação ao cadáver, concluiu a mesma fonte.

Desaparecimento de Rodrigo: o que se sabe

De acordo com a versão da mãe, Rodrigo saiu de casa, na manhã de segunda-feira, dia 22 de fevereiro, mas não regressou no final do dia e só nessa altura a progenitora se apercebeu do desaparecimento do filho.  O adolescente tinha o telemóvel desligado, pelo que a mãe contactou as autoridades. 

Rodrigo, afinal, não chegou a ir à escola, em Estômbar, nesse dia, de acordo com um colega contactado pela mãe.  O rapaz frequentava um curso de cozinha na cidade vizinha de Lagoa, tendo faltado às aulas três dias antes do seu desaparecimento ter sido comunicado pela mãe às autoridades.

Rodrigo fazia o trajeto para a escola de bicicleta e de autocarro, mas nesse dia seguiu a pé.

O menor vivia com a mãe e a irmã. A mãe tinha terminado uma relação há pouco e o padrasto partiu para o Brasil, precisamente no dia em que Rodrigo desapareceu. 

Durante estes dias, a mãe fez vários apelos, nos órgãos de comunicação, para que o Rodrigo regressasse a casa, mas o pai não quis falar com a comunicação social.