O embaixador norte-americano em Portugal, Robert Sherman, incentivou Portugal a superar a «crise de confiança» que ainda prevalece no país, recordando o espírito dos navegadores portugueses que, no passado, descobriram «novos mundos, novas oportunidades».

O diplomata, que apresentou credenciais em 30 de maio, falava, esta quinta-feira, num almoço-conferência em Lisboa, organizado pela Associação de Amizade Portugal - EUA (AAPEUA), em conjunto com o American Club e a Câmara de Comércio Americana em Portugal.

Numa intervenção intitulada «Economic Diplomacy and Shared Prosperity» (Diplomacia Económica e Prosperidade Partilhada), Robert Sherman reconheceu o caminho percorrido por Portugal para enfrentar a crise económica, bem como as «opções difíceis» assumidas pelo Governo português.

Mas, mesmo com a economia a seguir um caminho para a estabilidade, o diplomata norte-americano acredita que Portugal ainda tem muito para fazer, nomeadamente «na superação de uma crise de confiança».

«São os portugueses que têm uma imagem negativa dos portugueses», afirmou Robert Sherman, referindo que o país ainda vive sob o efeito do espírito do «sebastianismo».

«A prosperidade de Portugal não vai acontecer por milagre, tem de passar pela atitude dos portugueses», disse o embaixador norte-americano, salientando que o país, que no passado descobriu «novos mundos, novas oportunidades», tem atualmente qualidades e capacidades de excelência em vários campos, como é o caso das energias renováveis e da inovação e tecnologia.

Para o embaixador dos Estados Unidos, o futuro passa pela «mudança de mentalidades», mas sobretudo pela promoção do país.

«O que se tem de fazer é expor Portugal às pessoas [a nível internacional]», sublinhou o diplomata, que avançou que está a trabalhar com a instituição Kennedy Center, em Washington, para a realização em março de 2015 de um evento dedicado a Portugal e Espanha.

Durante três semanas, segundo explicou Robert Sherman, o evento vai mostrar o que se faz em Portugal em áreas como literatura, cinema, gastronomia ou arquitetura.

«O fado vai aos Estados Unidos. (...) É uma oportunidade incrível (...) o impacto desta iniciativa pode abranger várias gerações», realçou.

Robert Sherman anunciou ainda que uma delegação de empreendedores e investidores norte-americanos vai estar em Portugal em julho para «conhecer a comunidade local de 'startups' [empresas inovadoras em processo de implementação]». A missão norte-americana, organizada pela representação diplomática em Portugal, irá visitar projetos em Lisboa, Aveiro e Porto.

Sobre como os Estados Unidos podem ajudar Portugal, o diplomata realçou um aspeto: «incutir o espírito de arriscar».

«As soluções já estão aqui [em Portugal]. (...) Portugal não precisa do sebastianismo», concluiu.