O presidente da Região de Turismo do Algarve diz que os incidentes ocorridos com jovens de férias em Albufeira, nos últimos dias, “são casos pontuais”. Ainda assim, alerta para a necessidade de repensar determinados tipos de oferta.

São incidentes que não ajudam nenhum destino turístico e que devem ser evitados para que a imagem da região não seja posta em causa, porque o Algarve é um destino consolidado e de referência”

À agência Lusa o presidente da RTA, Desidério Silva, insistiu que é preciso haver "algum cuidado na venda das ofertas a baixo preço para um destino como o Algarve, que está em alta e com muita procura”. Deve ser garantido um “"nível médio/alto de turistas”.

Esse sublinhado acontece depois dos incidentes ocorridos no domingo passado na zona dos bares da Oura, em Albufeira, que, adiantou, se verificaram entre um grupo dos cerca de mil turistas que viajaram para a região no âmbito de um pacote de férias a baixo preço. Os desacatos levaram a polícia a disparar balas de borracha.

Também o presidente da maior associação hoteleira da região, a AHETA, pede mais fiscalização aos estabelecimentos de diversão noturna. 

Existe a ideia instalada neste tipo de clientela de que em Albufeira há uma oferta que lhes proporciona comportamentos desviantes".

Elidérico Viegas considera que "o que está errado" é o modelo de oferta, que “atrai este tipo de turista".

"Há corresponsabilidades"

O presidente da Região de Turismo do Algarve defende, ainda, que há "corresponsabilidades que devem ser analisadas”, para alterar este tipo de ofertas e de disponibilidade da região para receber estes grupos. "Tenho procurado junto das entidades que têm mais interferência neste processo, para tentar encontrar soluções para minimizar todos estes impactos”, garantiu.

De acordo com Desidério Silva, o que aconteceu está a ser analisado, no sentido de se encontrarem formas que possam prevenir “situações como as que ocorreram em Albufeira”. Essa prevenção, sublinhou, passa também pelas autoridades que têm competência na área da segurança.

“Já falei com o comando da GNR a nível distrital, que deu todas as garantias de que estarão atentos para prevenir e tentar perceber como é que estes grupos chegam e onde estão, para intervirem como força dissuasora para que isto não se repita e não coloque em causa a imagem do Algarve”, frisou.

"Não existe insegurança nem há batalhas campais"

Por seu turno, o presidente da Associação dos Comerciantes de Albufeira, Luís Alexandre, disse à Lusa que “as rixas entre turistas de férias na região acontecem todos os anos, verificando-se principalmente nas zonas junto aos bares”, motivadas pelo consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

Não existe nos comerciantes nenhum sentimento de insegurança, porque estes incidentes ocorrem junto aos bares, mas não são batalhas campais como aquilo que tem sido divulgado”.

Segundo Luís Alexandre, “não há registo de comerciantes que tenham sido lesados por desacatos ou problemas graves, embora se registem pequenos distúrbios”, normais em qualquer zona comercial.

O representante dos comerciantes de Albufeira defende “um maior policiamento com visibilidade, como fator de dissuasão, na zona dos bares onde existe uma maior concentração de pessoas que tendencialmente provocam os incidentes devido ao consumo de álcool”.