O dia da Restauração da Independência comemora-se hoje, pela primeira vez desde que deixou de ser feriado, com um desfile de mais de 20 bandas filarmónicas e a recolha de assinaturas para a reposição do feriado.

Às cerimónias promovidas pela Sociedade Histórica para a Independência de Portugal e a Câmara de Lisboa, juntam-se, pelo segundo ano consecutivo as iniciativas do Movimento 1º de Dezembro, criado para restaurar o feriado.

«As comemorações são sempre organizadas em conjunto pela Sociedade Histórica para a Independência de Portugal e a Câmara Municipal de Lisboa, foi sempre assim nos vários figurinos que teve. Nós, Movimento 1º de Dezembro, não alteramos isso, procurámos acrescentar, com a nossa iniciativa, com a nossa criatividade, com o nosso entusiasmo, alguns factos novos a essas celebrações», disse à Lusa José Ribeiro e Castro, do movimento.

O desfile de bandas filarmónicas que, no ano passado, começou a ser organizado pelo movimento 1º de Dezembro e a empresa municipal de cultura de Lisboa EGEAC, contará no domingo com 21 bandas e grupos, que, entre as 14:00 e as 17:00, desfilarão pela avenida da Liberdade, em Lisboa.

O desfile terminará com uma interpretação conjunta de 1200 músicos dos hinos da Maria da Fonte, da restauração e o hino nacional, na praça dos Restauradores, a que se seguirá uma atuação de tunas no largo de São Domingos.

As comemorações da Sociedade Histórica para a Independência de Portugal que decorrerão na praça dos Restauradores, terão a intervenção do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, de José Ribeiro e Castro, do movimento 1º de Dezembro, e de José Batista Pereira, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Na avenida da Liberdade, o movimento 1º de Dezembro irá recolher assinaturas para a iniciativa legislativa de cidadãos que está a promover com o objetivo de restaurar o feriado e o instituir como Dia de Portugal.

Ribeiro e Castro, do movimento 1º de Dezembro, disse à Lusa que estão recolhidas mais de duas mil das 35 mil assinaturas necessárias para levar à Assembleia da República uma iniciativa legislativa de cidadãos.

O feriado de 1 de Dezembro foi eliminado através da aprovação de um novo Código do Trabalho, a 11 de maio do ano passado, em conjunto com o feriado da Implantação da República (5 de Outubro) e os feriados religiosos de Corpo de Deus (60 dias após a Páscoa) e do Dia de Todos os Santos (1 de novembro).

Portugal proclamou a independência de Espanha há 373 anos

No dia 01 de dezembro de 1640, há 373 anos, um conjunto de nobres entregou o trono de Portugal ao Duque de Bragança D. João, recusando a soberania da Coroa espanhola.

Um conjunto de 40 fidalgos portugueses, que a História denominaria «os conjurados», decidiram encetar uma revolta popular que colocasse fim ao domínio espanhol de Portugal que se registava desde 1580, com a morte do rei D. Sebastião, que não deixou herdeiros diretos.

Os conjurados contaram com o apoio de D. João, 8.º duque de Bragança e 14.º Condestável do Reino. O duque era senhor de uma das maiores e mais rica casa nobre, podia financiar a campanha contra a coroa espanhola, e por ser trineto do Rei D. Manuel I, podia assumir a coroa de Portugal independente.

Esta ascensão era, segundo os cronistas, já reconhecida pelo povo, nomeadamente quando em 1633, sete anos antes da revolta, numa ida a Évora para se encontrar com o marquês de Ferreira, foi recebido como soberano pelo povo.

Historiadores há, que apontam que o plano de estudos e educação que o pai, D. Teodósio, lhe traçou, já o preparavam para assumir cargos de maior responsabilidade, além do senhorio ducal.