A Associação 25 de Abril anunciou esta quinta-feira que recusou, pelo quarto ano consecutivo, o convite para estar presente na sessão solene da Assembleia da República, que assinalará os 41 anos da Revolução dos Cravos.

Em 2012, 2013 e 2014, a associação também não esteve presente na sessão solene do 25 de Abril no parlamento, justificando a ausência com «crescentes e continuados desvios às esperanças e valores de Abril».

«Neste ano de 2015, porque essas razões se acentuaram, porque vivemos numa situação onde o próprio Presidente da República não cumpre, em nosso entender, a sua função constitucional de garante do regular funcionamento das instituições, volta a Associação 25 de Abril a declinar o convite», refere a direção da Associação, em comunicado enviado à agência Lusa.

No entanto, a direção da Associação 25 de Abril, presidida pelo capitão de Abril Vasco Lourenço, frisa que mantém pela instituição da Assembleia «uma grande consideração».
 

«É essa consideração pelo mais genuíno representante do Povo Português que, independentemente de posições muito críticas face à forma como cumpre o preceito constitucional de fiscalizar a ação do Governo, nos leva a aceitar o convite e a colaborar com a Assembleia da República em atividades evocativas do 25 de Abril e das eleições para a Assembleia Constituinte realizadas há 40 anos».


A direção da associação salienta que continua a acreditar «que os problemas da Democracia só se resolvem com mais Democracia».
 

«Voltamos a esclarecer que, com esta nossa atitude, não pretendemos colocar em causa as instituições de soberania democrática, não queremos confundi-las com os que são seus titulares e exercem o poder».


No comunicado, a Associação 25 de Abril faz ainda votos para que, em 2016, «estejam criadas condições» que lhe permitam voltar a aceitar o convite para participar na sessão solene da Assembleia da República, comemorativa dos 42 anos do 25 de Abril.
 

«Até lá, apelamos aos portugueses para que lutem e exerçam todo o esforço, na recuperação dos valores que há 41 anos nos levaram a arrancar para uma ação libertadora, de que muito nos orgulhamos».