Tanto a Europa como os Estados Unidos estão em alerta máximo por causa do ébola. A preocupação é tal, que esta quinta-feira há uma reunião de emergência entre os ministros da saúde dos países da União Europeia e, nos EUA, Barack Obama até já cancela viagens em agenda para se concentrar no problema e promete uma resposta «agressiva» no combate ao vírus.


«A ideia é discutir os controlos fronteiriços quando se chega à União Europeia no que diz respeito ao ebola», explicou o porta-voz de Bruxelas, Frédéric Vincent, citado pelo «The Wall Street Journal».

Em causa estão, assim, decisões sobre o rastreio dos passageiros nos aeroportos dos 28 países que compõem a UE. O Reino Unido quer que haja um controlo reforçado geral, com pessoal especializado da UE.  A «coordenação» entre os vários estados-membros «pode ser uma coisa boa e isso é o que vai ser discutido», reforçou o mesmo porta-voz.

França inicia controlo de voos vindos da Guiné-Conacri

França já vai passar à prática, iniciando no sábado controlos sanitários à chegada ao aeroporto parisiense de Roissy (Charles de Gaulle) dos voos procedentes da Guiné-Conacri.

A temperatura corporal dos passageiros vai ser medida por uma equipa médica do aeroporto com o apoio da Cruz Vermelha e da Proteção Civil, disse a ministra da Saúde daquele país à AFP. O procedimento vai ser efetuado na «manga» do avião e, portanto, antes da sua entrada no aeroporto.

Os voos com partida para a Guiné-Conacri também vão ter um controlo mais apertado.


Hospital de Dallas admite «erros» de gestão

Entretanto, nos EUA, Barack Obama promete uma  resposta mais agressiva para o tratamento de novos casos do vírus nos EUA. A garantia foi deixada depois de uma reunião de emergência ontem, na Casa Branca, na sequência da infecção de um segundo profissional de saúde no Texas. O Presidente norte-americano chegou, até, a adiar uma viagem política a Rhode Island, num sinal de crescente preocupação, adianta a Reuters. 

Obama ficou a conhecer de perto as preocupações e temores suscitados pelo tratamento do paciente liberiano que morreu do vírus no Texas e que infetou, pelo menos, dois profissionais de saúde enquanto estive lá.  

A segunda enfermeira infetada está a provocar grande alarme, porque ela fez uma viagem de avião, um dia antes de apresentar sintomas. A mulher foi transferida na tarde de quarta-feira para o Hospital Universitário Emory de Atlanta (Georgia), onde foram atendidas, em agosto, duas pessoas que superaram o vírus.

«Depois de consultar as autoridades de saúde e o Hospital Universitário Emory de Atlanta, o Hospital Presbiteriano de Dallas transferiu a sua segunda trabalhadora infetada com Ébola para receber tratamento», explicou o centro do Texas, num comunicado citado pela Lusa.  

O Hospital de Dallas veio já admitir «erros» na gestão do tratamento do doente liberiano.  «Infelizmente, cometemos erros no primeiro contacto com o senhor [Thomas Eric] Duncan, apesar das melhores intenções, nossas e da equipa médica altamente qualificada», admitiu o diretor clínico da  Texas Health Resources (o consórcio de saúde ao qual pertence o hospital)  Daniel Varga. Pediu, também, desculpa por «não ter diagnosticado corretamente os sintomas do ébola».

O líder republicano pediu entretanto a Obama para que suspenda as viagens para os EUA com origem em países afetados, de forma a evitar que o contágio se propague. «Uma proibição temporal dos voos a partir de países afetados pelo vírus é algo que o Presidente deveria absolutamente considerar, a par de outras medidas, dado que crescem as dúvidas sobre a segurança do nosso sistema aéreo», afirmou John Boehner, também em comunicado.

Em Portugal, o ministro da Saúde indicou ontem que vão ser realizados simulacros sobre o vírus. Tem aumentado a polémica sobre se o país estará preparado para tratar eventuais doentes e evitar o contágio, com a ordem dos médicos a deixar uma série de alertas. O diretor-geral de saúde até já ameaçou demitir-se