Portugal tem os ingredientes certos para vingar na gastronomia mundial, na opinião do chef Dieter Koschina, que dirige o restaurante Vila Joya, o único português na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo.

«Está junto ao Oceano Atlântico, tem uns produtos fabulosos, o que é que pode pedir mais? Tem sol e clientes», afirmou à agência Lusa em Londres, onde foi revelada na segunda-feira à noite a lista elaborada pela revista Restaurant.

O austríaco, radicado há mais de duas décadas em Portugal, diz ter assistido a uma evolução da qualidade dos restaurantes portugueses e acreditar que mais mereçam estrelas Michelin em breve.

Por isso partilhou o sucesso do Vila Joya, instalado em Albufeira, com o resto do país e com a região, afirmando: «É um grande salto para a frente, para o Algarve e para Portugal, é muito importante.»

Koschina é conhecido pelas suas confeções com peixe e marisco e tem como prato emblemático bacalhau confitado com molho de beterraba e iogurte.

Mas, mesmo na cozinha sofisticada, é necessário juntar «amor» à receita, revelou: «O mais importante para mim é fazer clientes felizes. Quando voltam fico mais feliz do que ganhar prémios.»

Este é o terceiro ano consecutivo que o Vila Joya está na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo, na qual em 2014 subiu 15 lugares, para o 22.º posto.

O chef partilhou o crédito do prémio com o grupo que o rodeia, em especial o segundo chefe de cozinha, Matteo Ferrantino.

«Eu só tenho duas mãos, só funciona se for uma equipa toda junta», vincou.

Ao topo da lista voltou o restaurante dinamarquês Noma, que foi primeiro em três anos consecutivos - em 2010, 2011 e 2012.

Sob a liderança de René Redzepi, tornou-se famoso pela experimentação, ao mesmo tempo que manteve o uso de produtos nórdicos.

No ano passado tinha sido destronado pelo espanhol El Celler de Can Roca, que este ano caiu para segundo lugar.

A seleção resultou de uma votação de mais de 900 profissionais da indústria da restauração, dividida em 26 regiões de todo o mundo.

Cada região tem um painel, constituído por críticos de comida, escritores, chefs e gastrónomos, que elabora uma lista em ordem de preferência baseada nas experiências gastronómicas dos melhores restaurantes dos últimos 18 meses, sem quaisquer critérios pré-definidos.