O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), José Silva, considerou, esta terça-feira, em entrevista à TVI24, que a reportagem «1 hora e 35 minutos» «espelha, efetivamente, a realidade».

«A Ordem dos Médicos tem vindo a chamar a atenção exatamente para o problema das urgências, que é um problema da saúde em Portugal e para as consequências negativas do exagero de cortes no Serviço Nacional de Saúde (SNS)», afirmou José Silva.

«1 hora e 35 minutos», uma reportagem de Ana Leal com imagem de Romeu Carvalho e edição de João Pedro Ferreira, mostrou que depois do caos nas urgências durante o pico da gripe, os principais problemas que levaram ao congestionamento dos hospitais mantêm-se: há falta de médicos e enfermeiros que chegam a acumular 300 horas a mais de trabalho.  

Durante um mês a equipa de reportagem infiltrou-se em 15 hospitais, e as imagens recolhidas fazem lembrar um cenário de quase terceiro mundo.  
 
Pode ver a reportagem na íntegra aqui.

O bastonário da OM relembrou ainda que «a troika, já em 2013, tinha dito que o SNS não tolerava mais cortes, já se gastava muito pouco  per capita em termos de despesa pública da saúde. Não havia por onde cortar mais e, no entanto, foram impostos mais cortes».

Para José Silva, o cenário mostrado pela reportagem da TVI «era inevitável, porque todo o sistema estava, e está, no limite».

«Passado o inverno, os hospitais continuam cheios. Ou seja, o problema das urgências no inverno, e que agora continua, não foi da vaga do frio, não foi da epidemia de gripe», acrescentou.