A Comissão de Desenvolvimento Regional do Norte revelou esta quinta-feira estar à procura de financiamento para uma “resolução definitiva” do problema ambiental em São Pedro da Cova, Gondomar, onde se detetaram mais resíduos que as 88 mil toneladas estimadas (mais de  321 mil toneladas, como apurou a TVI).

A remoção dos resíduos industriais provenientes da Siderurgia Nacional, e que foram depositados nas minas de São Pedro da Cova entre maio de 2001 e março de 2002, começou a ser feita em outubro de 2014 mas, “com a prossecução dos trabalhos de remoção, foi detetada a existência de resíduos em quantidade superior à originalmente estimada pelo LNEC [Laboratório Nacional de Engenharia Civil]”, refere comunicado divulgado esta quinta-feira.

Em relatório de 2011, solicitado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), o LNEC havia concluído que “a quantidade de material transportado foi de aproximadamente 88 mil toneladas e que apresentava características que exigiam que o mesmo fosse removido para um aterro de resíduos perigosos”.

“Por despacho datado de abril de 2011, o Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território atribuiu à CCDR-N a tarefa pública de assegurar um destino final adequado àqueles resíduos” após o que “a CCDR-N procedeu, então, ao lançamento de um concurso público internacional para remoção e tratamento das 88 mil toneladas de resíduos, acrescidas de uma margem de segurança de 20% correspondente a um total de 105.600 toneladas”, indica.


Perante a existência de uma maior quantidade de resíduos que a estimada, e “face ao erro cometido” pelo LNEC, a CCDR-N solicitou novo relatório “para apurar as quantidades remanescentes” e está agora “a avaliar soluções financeiras que permitam assegurar a resolução definitiva deste problema ambiental”, no âmbito dos instrumentos de política pública disponíveis.

“Tendo sempre presente o interesse público, e em parceria com entidades locais, regionais e nacionais com competência nesta matéria – designadamente, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Câmara Municipal de Gondomar e a Junta da União de Freguesias de Fânzeres e S. Pedro da Cova –, a CCDR-N tudo tem feito e continuará a fazer para o bom termo do processo no rigoroso cumprimento da lei e na defesa do território e das suas populações”, assegura.


Na passada semana o presidente da Junta de São Pedro da Cova disse estar a preparar "um conjunto de ações de luta" para exigir ao Governo que "assuma um compromisso definitivo" sobre a remoção dos resíduos perigosos existentes na freguesia.

O autarca falava à Lusa após ter emitido um comunicado com o título "vice-presidente da CCDR-N [Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte] não tem condições para acompanhar problema dos resíduos perigosos existentes em São Pedro da Cova".

A Junta de São Pedro da Cova considerou que Carlos Neves não podia ter afirmado, numa reportagem emitida pela TVI, que "a massa de resíduos está estável física e quimicamente", bem como, que "neste momento [o resíduo] não representa risco para a saúde pública".