A Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC) disse esta terça-feira que, em muitas escolas do norte do país, não houve qualquer professor vigilante disponível para vigiar as provas de avaliação dos docentes, o que obriga a marcar nova data.

«Em algumas escolas do norte, não houve mesmo qualquer professor vigilante disponível para vigiar a prova. Ainda estamos a contabilizar em quantas escolas isso aconteceu, mas é uma grande derrota do Governo, porque, mesmo que tivesse apenas acontecido numa a prova, irá ter de ser repetida», disse à Lusa o presidente da ANVPC, César Israel Paulo, num balanço das provas e protestos de hoje.

O responsável associativo deixou elogios aos professores que se solidarizaram com aqueles inscritos para a prova e que participaram nos plenários, criticando ainda a «atitude totalmente antidemocrática do Governo» de não permitir que as reuniões plenárias, convocadas pelos sindicatos, se realizassem nas escolas.

«Toda a classe docente já percebeu que esta prova não avalia nada», declarou César Paulo, acrescentando que o modelo da prova de hoje, a que teve acesso, não reflete «nada do que é ser um professor».

«Basta vermos o modelo. Esta prova não avalia nada do que é ser um professor. Nem na sua componente científica, nem na sua componente pedagógica, nem na sua componente de gestão da sala de aula, em nada. É uma prova de trocadilhos, de lógica matemática e nada mais», disse.

Um dos exercícios pedidos aos professores, na prova desta terça-feira, passava por unir partes de provérbios, de um ponto de vista lógico referiu.

«Eu diria que é quase 'incomentável' esta prova. Gostaria que os portugueses a vissem, e vissem se aquilo é uma prova aplicável a uma classe muito bem formada em termos científicos e pedagógicos. Estamos a falar de professores com mestrados, doutoramentos. O senhor ministro quer denegrir esta classe aplicando a prova», criticou César Paulo.

Para o presidente da ANVPC, mais grave do que os professores que não fizeram a prova devido aos protestos desta terça-feirs, é a situação daqueles que a queriam fazer, apresentando o comprovativo de que, em dezembro, não realizaram o exame «por motivos alheios à sua vontade», como exigia o Ministério, para manterem a inscrição para hoje, e mesmo assim não constavam das listas, não tendo, por isso, realizado a prova.

«Têm chegado à associação muitas queixas dos professores que não a fizeram, porque não foram convocados pelo Ministério, com implicações para os concursos que estão a decorrer», adiantou.

César Paulo acusou o Ministério da Educação e Ciência (MEC) de ter tido um «comportamento deseducativo e nada científico» na forma como calendarizou a prova desta segunda-feira, e pediu à tutela que «pondere se vai continuar nesta guerra absurda que está a retirar recursos às escolas».

Cerca de quatro mil professores contratados estavam inscritos para a Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC), que decorreu esta segunda-feira de manhã, teste que tem sido alvo de forte contestação por parte dos sindicatos.

A invasão de uma escola no Porto e as divergências entre MEC e sindicatos sobre as providências cautelares, relativas à prova de avaliação de professores, marcaram a manhã do exame, agendado para esta terça-feira em 80 escolas.