Os cerca de 70 portugueses que regressaram das ilhas Antilhas depois da passagem do furacão Irma pela região aterraram esta quinta-feira em Lisboa às 19:55, numa operação de repatriamento que o ministro dos Negócios Estrangeiros deu como concluída.

A questão essencial aqui era assegurar o repatriamento daqueles que desejaram e essa operação está concluída. Do meu conhecimento, temos aqui as pessoas que desejaram vir", declarou Augusto Santos Silva, que foi esperar os portugueses ao aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa.

No total, 68 portugueses, um brasileiro e um romeno, entre os quais 20 menores, viajaram a bordo de um C-130 enviado pelo Estado português, desde a ilha de Guadalupe, nas Antilhas francesas, regressando ao seu país natal após a passagem do furacão Irma.

Destes, 65 residiam na ilha de Saint-Barthélemy e cinco em Saint-Martin. Acresce a estes cidadãos nacionais uma mulher, que se encontra num estado avançado de gravidez, pelo que não pôde viajar no avião militar, regressando a Portugal com o marido num voo comercial, disse o governante.

Os efeitos do furacão foram devastadores e a nossa obrigação é assegurar aos portugueses, sempre, condições necessárias para apoiá-los nestes momentos, que são sempre momentos muito difíceis”, acrescentou Santos Silva.

Esta operação, organizada “num prazo de tempo absolutamente formidável”, é uma “prova da capacidade da Força Aérea Portuguesa de servir o interesse público”.

É também uma prova de que Portugal responde quando eles [os emigrantes] precisam”, destacou Santos Silva.

O ministro, que estava acompanhado pelo secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, cumprimentou os cidadãos, à medida que desembarcavam, desejando-lhes as boas-vindas a Portugal.

Tudo está bem quando acaba bem”, considerou o chefe da diplomacia portuguesa.

Questionado se acredita que estes emigrantes vão querer regressar à região, depois do furacão Irma, que devastou as ilhas de ‘Saint-Barths’ e ‘Saint-Martin’, Santos Silva respondeu: “Se eu conheço bem os portugueses, muitos deles vão regressar”.

Em Saint-Barthélemy (‘Saint-Barths’), vivem cerca de 2.000 portugueses, um número muito superior aos 165 registados junto dos serviços consulares como residindo naquela ilha das Antilhas francesas.

O Estado português só se apercebeu desta realidade após a deslocação do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, à região, para se inteirar das necessidades dos emigrantes.

O Governo vai passar a realizar permanências consulares nas Antilhas francesas, a partir do próximo ano, fazendo deslocar funcionários do consulado-geral de Paris – que tem a jurisdição territorial – para aquela zona, anunciou hoje à Lusa o secretário de Estado.

Segundo a contagem da agência Associated Press, o Irma fez 37 mortos nas Caraíbas, 13 na Florida, quatro na Carolina do Sul e dois na Geórgia, o que perfaz um total provisório de 56 mortos.