O efetivo da GNR diminuiu 10% em quatro anos devido às saídas de militares para a reserva ou reforma que não foranm compensadas com novas entradas, segundo o relatório de atividades de 2012 da corporação.

O mesmo documento dá conta também dos níveis de «degradação» das instalações da GNR, que necessitam de «intervenções céleres».

«O património imobiliário afeto à GNR, embora muito vasto, evidencia níveis de degradação muito elevados, necessitando de intervenções céleres, de forma a assegurar um acréscimo qualitativo das condições em que é exercida a sua atividade, com reflexos substanciais na qualidade e eficácia da sua atuação junto das populações», lê-se no relatório citado pela agência Lusa.

A GNR salienta que, em 2012, registou-se «uma taxa de concretização muito abaixo das expectativas e das reais necessidades da GNR» no que toca à reabilitação e modernização das infraestruturas e equipamentos.

No relatório, a GNR refere que o efetivo militar «tem assistido a um decréscimo acentuado, motivado essencialmente pelo facto dos ingressos na GNR, via cursos de formação, não terem acompanhado os valores registados por saídas para a situação de reserva ou reforma».

No capítulo dedicado ao balanço social, esta força de segurança avança que no final de 2012 estavam ao serviço da corporação 22.282 militares, quando em 2009 eram 24.762, passando no ano seguinte para 23.476 e, em 2011, para 23.021.

No final do ano passado, a GNR dispunha um total de 23.189 elementos, dos quais 22.282 eram militares e 907 civis.

No documento, a GNR indica que a perda de 3,2% de militares entre 2011 e 2012 se deve ao facto do número de militares que passaram à reserva no ano passado não ter sido atenuado com as novas entradas.

Em 2012, ingressaram na GNR 549 guardas e 49 oficiais e passaram à reserva ou reforma 1.358.

Já este ano entraram para esta força de segurança 273 novos guardas.

O relatório de atividades do ano passado, disponível na página na Internet, sustenta igualmente que «a antiguidade» do parque automóvel é «uma verdadeira preocupação para a Guarda, com evidentes reflexos no desempenho operacional», adiantando que a grande maioria das viaturas tem mais de 10 anos, o que, «aliado ao grande desgaste diário, dificulta de sobremaneira o serviço a desempenhar».

O documento indica ainda que a expansão da Rede Nacional de Segurança Interna (RNSI) aos postos da GNR «não atingiu os níveis desejáveis, continuando uma parte dos quartéis a não ter acesso a este serviço» partilhado de telecomunicações, o que «inviabiliza a implementação dos sistemas de informação da Guarda em todo o dispositivo».

A GNR considera que se constitui «como um vetor fundamental para a segurança interna do país e, inclusivamente de todo o espaço Schengen, que esta rede seja completada no mais curto prazo possível».

A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) considerou como «muito grave» a falta de efetivos na GNR, sublinhando que a redução de elementos tem reflexos na atividade operacional.

«A diminuição de efetivos nota-se na atividade operacional e as patrulhas são feitas graças ao sacrifício dos militares», disse à agência Lusa o presidente da APG, César Nogueira, adiantando que os elementos da GNR «têm cada vez mais dificuldades em fazer o seu serviço».

César Nogueira sublinhou que, devido à falta de pessoal, os militares «são obrigados a trabalhar cada vez mais horas», especialmente durante o período de verão, e «não são compensados» por isso.

Sobre os níveis de «degradação» das instalações, também mencionados no relatório, César Nogueira afirmou que há muitos postos no país que «necessitam de uma intervenção imediata» e estão a «pôr em perigo os funcionários e os cidadãos que se deslocam» aos locais.

«Há muitas instalações que deviam estar fechadas para reparação», acrescentou César Nogueira