O presidente da Federação de Professores, João Dias da Silva, defendeu esta segunda-feira que a qualidade do ensino é maior quando o número de alunos por turma é inferior a 30, ao contrário do que recomenda um relatório da OCDE.

O presidente da Federação Nacional de Professores (FNE), João Dias da Silva, comentava assim, em declarações à agência Lusa, as recomendações do relatório «OECD Economic Surve»,que considera que Portugal tem «turmas pequenas».

A OCDE considera que «a qualidade dos professores é mais importante no processo de aprendizagem do que o tamanho das turmas». Consequentemente, a organização também defende a redução do número de professores

João Dias da Silva disse que não existem estudos que sustentem as recomendações da OCDE e realçou que num país como Portugal, o número de alunos por turma influencia a qualidade do ensino e da aprendizagem.

«O número de alunos é relevante. Obviamente que a qualidade dos processos de ensino e de aprendizagem é maior com turmas por exemplo de 20 alunos do que com 30 alunos», disse o presidente da FNE.

O dirigente da FNE lembrou que em Portugal o número de alunos por turma é muito elevado, com uma média de 30 alunos no ensino secundário.

«Apesar de serem médias idênticas a outros países europeus, não podemos esquecer que a qualificação dos pais destes alunos é muito baixa e daí a necessidade de haver um maior acompanhamento dos alunos na escola», explicou.

João Dias da Silva contou que em Portugal não existe um ambiente familiar propulsor de aprendizagem como noutros países europeus, onde as qualificações dos pais são maiores.

«Por outro lado, o senso comum dirá que, por exemplo, numa aula de língua estrangeira é mais difícil que o professor possa ouvir o aluno ou que o aluno tenha mais possibilidade de intervir oralmente quando existem 30 alunos numa turma», disse.

Por isso, defendeu o responsável, tem de haver um reforço do professor e da escola no acompanhamento dos alunos na promoção do sucesso.

A OCDE recomenda que Portugal continue a apostar na redução do número de funcionários públicos para melhorar a eficiência dos serviços.

Para a OCDE, esta será também uma forma de continuar a reduzir o peso da despesa com salários da administração pública.

Por outro lado, o relatório refere que apesar de o emprego público ter caído cerca de 8% desde 2012, ainda há «excesso de funcionários em áreas específicas, como as forças de segurança e a educação».