É o amor uma ciência? No dia dos namorados cruzam-se emoções que dão razões para os psicólogos não ficarem indiferentes à data, porque a carga deste dia pode bem levar alguém ao consultório, fruto de “conflitos”. Que conflitos são esses? Já lá vamos.

 

1.Estimulação

No dia dos namorados, há uma “estimulação subtil” que não permite ignorar o dia. Depois do Natal, o comércio ganha fôlego com a chegada do Dia dos Namorados. Da simples caixa de chocolates às joias, do jantar ao fim de semana de sonho, tudo é servido na publicidade. Há uma “comercialização do dia”, diz o psicólogo Nuno Augusto em conversa à tvi24, explicando que é como irmos ao cinema e, embora não tenhamos vontade de comer pipocas, o ver, o cheirar, o ouvir, leva-nos a sentir essa necessidade de comer o aperitivo.

 

2.Ansiedade

Nuno Augusto afirma que o dia pode gerar uma “ansiedade”, quer naqueles que estão numa relação, quer para aqueles que não estão.Para aqueles que têm um companheiro ou companheira, gerir o dia de São Valentim pode ser difícil. “Não saber o que fazer” para agradar o outro, em linha com as expetativas. “O medo de falhar” pode fazer deste dia um “fator de risco” de "stress", de acordo com o psicólogo. Mesmo as questões monetárias podem ser um elemento potenciador desta “ansiedade”, ao não conseguir fazer face às despesas.

 

3.Egoísmo

Um estudo de 2002, publicado num jornal sobre o comportamento dos consumidores, da autoria de Robert Rugimbana e outros, intitulado “A importância das prendas de São Valentim nas relações”, concluiu que “a maioria dos jovens do sexo masculino considera que dar um presente de São Valentim é uma obrigação”. Por outro lado, “25% assumiu que esperava algo em troca, de natureza não material, com uma conotação sexual”.

 

4.Altruísmo

As mulheres ligam mais ao dia dos namorados do que os homens, é a conclusão a que chegou Shirley Matile Ogletree, da Universidade do Texas. A investigadora fez 95 entrevistas a jovens, com uma média de idades de 23 anos, 52 mulheres e 43 homens. Elas gostam receber presentes, mas também se sentem muitos felizes ao dar prendas. 

 

5.Diálogo

O psicólogo faz uma ressalva, a  carga de importância deste dia também depende da “dinâmica de cada casal”. Do “diálogo” entre os parceiros até pode sair a conclusão de não querer comemorar o dia, não ligar à data, e isso não significa que a relação esteja em crise.

Nos casos em crise, o dia de São Valentim pode, por sua vez, ser visto como um último recurso para salvar o casamento ou o namoro e ganhar um sinónimo de “ignição”, para que a relação funcione. No fundo, como diz o psicólogo, “não há um  manual” e cada casal é um casal.

 

6.Conflito

Dois investigadores da Universidade do Arizona estudaram o efeito das datas festivas nas relações, nomeadamente o “efeito catalisador do dia de São Valentim”. O dia dos namorados pode ser visto como um “instigador da deterioração das relações” em casais que já enfrentam problemas. Se as expetativas de um parceiro estão baixas ou se existem outros putativos parceiros que se mostram desejáveis, então, o esforço para levar avante um dia dos namorados com tudo o que o guião manda pode parecer demasiado. “Os custos psicológicos e monetários de organizar um encontro de São Valentim não justificam o benefício” e, nesse caso, em vez de comemorar a relação, a conclusão é de que o melhor é acabar com ela, apuraram Katherine A. Morse e Steven L. Neuberg.

 

7.Depressão

Tal como não há manual para viver o dia dos namorados, também não há manual de como lidar com os casos de pessoas que sofrem com o dia dos namorados porque não têm um companheiro.

Seja porque a relação terminou ou porque nunca encontraram a cara-metade, há datas que lembram isso, obrigando a um balanço. O dia pode funcionar como um “catalisador” das emoções reprimidas. Genericamente, nesses casos, ajuda perceber “o que é que levou ao fim da relação”. Para os “solteirões”, levá-los gradualmente a “trabalhar a confiança”, a “assertividade”, pode ser o caminho para quem não se sinta feliz sozinho, inverta a situação. A receita não é sempre a mesma, porque a “história de vida” conta muito, vinca Nuno Augusto.

 

8.Solidão

Os opostos atraem-se, diz o ditado. Para o dia dos namorados, foi criado o dia dos solteiros. Festejar para dizer ao mundo que se está bem sozinho ou compensar-se pela solidão?

No ano passado, na China, o país dos solteiros graças à política do filho único, o site Alibaba, de vendas online, criou uma espécie de “black friday”, um dia de descontos, e o consumismo disparou.  A meio do dia já tinham sido gastos mais de 8.000 milhões de euros, o equivalente a quase 5% do PIB português, segundo a Reuters.

 

9.Afetividade

Outra leitura a fazer do dia dos namorados ou dos solteiros é fazer deles um “lembrete de que o ser humano é racional e está de bem em comunidade”, regista o médico.“Precisamos de estar em relação com os outros. O ser humano funciona melhor com os outros, em equipa”. Afinal, descendemos dos “primatas e eles viviam em comunidade”. O psicólogo concretiza: “O confronto com o outro [de um ponto de vista] positivo, criativo, construtivo, tem ganhos”.

 

10.Felicidade

A Ordem dos Psicólogos aconselha a “cultivar todos os dias uma relação romântica saudável”, como “elogiar, agradecer e pedir desculpa”, bem como “aceitar as diferenças e não esperar que o outro realize todas as nossas expetativas e desejos”.