Por: Redacção / Lisete Reis | 31- 7- 2010 20: 56
O suspeito Francisco Leitão, sabe-se agora, já tinha vários processos por abuso sexual de menores, roubo e fraude. Não
deixou saudades na terra onde vivia na região de Torres Vedras.
Francisco leitão fez profecias, magias e previsões,
tentou adivinhar o fim do mundo, quando mal sabia que o seu mundo, tal como era, estava quase no fim.
Tânia Ramos,
Ivo Delgado e Joana Correia. Sabe-se apenas que desapareceram sem deixar rasto ou que o pouco rasto que deixaram une as pontas
de um mistério que a Polícia Judiciária levou muitos meses a desvendar. Francisco Leitão será a chave do enigma. Terá assassinado
os três amigos, sempre com recurso a armas brancas, sempre com motivos passionais.
A paixão que tinha por Ivo Delgado
terá sido o início de um caminho sem regresso. Virando costas à relação homossexual que teriam, Ivo começa a namorar com Tânia.
A 5 de Junho de 2008, depois de perceber que Ivo traía os seus sentimentos, terá matado a rival. 15 dias mais tarde, tira
a vida ao próprio amante. Tânia tinha 27 anos, Ivo tinha 22. Aos familiares e amigos vendeu sempre a mesma história, que os
desaparecidos estavam a trabalhar no estrangeiro e que precisavam de dinheiro.
Dois anos depois, a paixão era outra,
mas a história é a mesma. Francisco Leitão apaixona-se por Luís. Luís começa a namorar com Joana. Mais uma vez, o suspeito
terá resolvido o problema emocional recorrendo à força. No dia em que Joana desapareceu terá trocado centenas de mensagens
com a vítima e mais tarde usaria também os telemóveis das vítimas para esconder os crimes e dar pistas à Polícia Judiciária.
Francisco
Leitão é o mais velho de 4 filhos. Estudou até à 4ª classe, é o preferido do pai e talvez por isso, tenha herdado a sucata
de família. Sucateiro de negócios duvidosos e gostos excêntricos. Era conhecido na aldeia onde vivia como Chico Avião. Mas
este é, acima de tudo, um chico-esperto.
No dia 20 de Julho foi detido pela Polícia Judiciária. Estava a dormir na
casa que afinal é sinal de uma vida que mais parece um castelo de cartas. Francisco Leitão já tinha cadastro e não era pouco.
Suspeito de abuso sexual de menores, de roubos e fraudes. Deve um milhão de euros ao fisco e foi processado pelos pais de
alguns dos seus discípulos por ter colocado na internet vídeos de sexo envolvendo os rapazes.
O alegado autor dos
três homicídios chegou a casar pela igreja mas a união durou apenas dois meses porque a mulher não aceitou as suas preferências
homossexuais. Tem uma filha que raramente vê e muitos meios amigos com quem passeava de carro, bebia copos e cantava no karaoke.
Mas este é apenas um dos mundos deste alegado homicida, que vivia parte da vida noutro mundo.
Os vídeos na internet,
a decoração da casa, tudo na vida deste homem era feito para dar nas vistas. Os homicídios terão sido afinal a única parte
discreta da sua vida.
Os corpos das vítimas continuam por encontrar. A Judiciária faz buscas no triângulo entre a
Lourinhã, Peniche e Torres Vedras. A irmã, sobrinhos e amigos de Leitão já voltaram à casa onde têm estado a limpar o que
ficou para trás.
Para trás ficam também três mães desesperadas. Três famílias de lágrimas secas, para quem nem o
luto é permitido.
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