A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) recebeu no primeiro semestre do ano passado 17.823 processos de reclamações, com os prestadores públicos a receberem mais queixas, mas também mais elogios dos utentes, segundo um relatório deste organismo.

Dos 17.823 processos de queixas e reclamações que chegaram à ERS entre janeiro e junho de 2015, 66,3% relacionaram-se com prestadores públicos, sendo que os mais visados são aqueles que têm internamento.

A maioria das reclamações (50,9%) visava prestadores situados na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Na sequência do alargamento das competências da ERS, nomeadamente no âmbito territorial, foram ainda registados processos provenientes das Regiões Autónomas: dois relativos à Região Autónoma da Madeira e dois sobre prestadores da Região Autónoma dos Açores.

Este é, aliás, o primeiro relatório da ERS a ser elaborado e divulgado após a publicação do regulamento que definiu os termos, as regras e as metodologias que presidem ao seu Sistema de Gestão de Reclamações (SGRec), sendo por isso "bastante diferentes" dos anteriores

A temática mais recorrentemente assinalada nas reclamações é a dos tempos de espera (com 20,6% das ocorrências), seguindo-se os cuidados de saúde e segurança do doente (15,9%).

Os procedimentos administrativos, a focalização no utente, o acesso a cuidados de saúde, questões financeiras foram os outros motivos das queixas dos utentes.

"Os tempos de espera são o tema mais mencionado em reclamações visando prestadores com internamento, independentemente de se tratar de estabelecimentos do setor público ou não público", lê-se no documento. 

Em relação aos prestadores sem internamento, "no setor público há uma maior referência a dificuldades no acesso a cuidados de saúde, enquanto o setor não público reclama maioritariamente sobre procedimentos administrativos"

No primeiro semestre do ano passado, a ERS recebeu ainda 2.027 elogios e louvores, na sua maioria provenientes de utilizadores de estabelecimentos localizados na região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo (55,7%).

As unidades do setor público receberam 73,3% dos elogios, os quais são mais frequentes em estabelecimentos com internamento.

O pessoal clínico (33,9%) e a organização dos serviços clínicos (23,5%) são os mais visados nestes elogios.