O lar de infância e juventude de Reguengos de Monsaraz, cuja antiga diretora técnica foi detida por suspeita dos crimes de abuso sexual e maus-tratos, encerrou esta sexta-feira, revelaram à agência Lusa fontes ligadas ao processo.

O Lar Nossa Senhora de Fátima da Santa Casa da Misericórdia de Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, acolhia crianças e jovens em risco.

De acordo com as mesmas fontes, os jovens e crianças que estavam na instituição foram transferidos, ao final da tarde, para lares semelhantes noutras localidades, como Évora, Portalegre, Palmela e Veiros, no concelho de Estremoz.

O Instituto da Segurança Social informou, na sexta-feira à noite, que acompanha este caso "em estreita articulação com o Ministério Público e os Tribunais competentes".

Numa nota enviada à agência Lusa, o instituto assegura que transferiu todos os jovens que se encontravam na instituição para outros lares de infância "que garantem todo o acompanhamento e apoio técnico adequado".

O caso da detenção da psicóloga, feita no âmbito de um inquérito dirigido por uma equipa composta por elementos do Ministério Público (MP) de Reguengos de Monsaraz e do Departamento e Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, terá contribuído para a decisão de encerramento do lar.

A iniciativa de fecho da instituição, onde atualmente estavam 24 crianças e jovens, foi tomada pela Misericórdia de Reguengos de Monsaraz, referiram as fontes, avançando que o encerramento poderá ser "temporário".

As fontes adiantaram que na origem da decisão da Misericórdia estará a intenção de reestruturar o lar de infância e juventude e de repensar o seu modelo de funcionamento.

Esta tarde, a GNR acompanhou o processo de encerramento do lar, a pedido do Ministério Público, que terá sido informado da decisão pela Segurança Social.

Segundo os relatos que iniciaram a investigação à ex-diretora, os menores contaram que eram algemados e fechados numa arrecadação, além de obrigados a ajoelhar-se perante ela.

Ouvida em tribunal, a psicóloga alegou estar a ser vítima de uma conspiração. 
  
Além do termo de identidade e residência, ficou com pulseira eletrónica, porque está proibida de entrar no concelho. Foi ainda suspensa de funções e está proibida de contactar os jovens que viviam até esta sexta-feira neste lar.

Fundada a 13 de outubro de 1936, altura em que era apelidada de Patronato Nossa Senhora de Fátima, a instituição foi integrada na Santa Casa da Misericórdia de Reguengos de Monsaraz em fevereiro de 1980, passando a designar-se Internato-Lar e, atualmente, Lar de Nossa Senhora de Fátima.

Segundo a página na Internet da Misericórdia, a instituição contava com vaga para 40 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os três e os 18 anos, que davam entrada no Lar após aplicação de medida de promoção e proteção de acolhimento em instituição pelo Tribunal ou Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco.

Os utentes eram crianças e jovens com trajetórias de vida de risco, provenientes de vários pontos do país, e privados de meio familiar normal, devido a situações de perigo diversas e a carências socioeconómicas.