A maioria das escolas começa as aulas apenas no final da semana ou no início da próxima, de forma a garantir que os alunos têm todos os professores, disseram à Lusa diretores escolares.

Este ano o ano letivo pode começar entre os dias 15 e 21 de setembro, segundo o calendário definido pelo Ministério da Educação, que deu aos diretores escolares liberdade de escolha.

Apesar de as escolas poderem começar já na terça-feira, a maioria optou por agendar a abertura para o final da semana, contou à Lusa Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

“São casos excecionais os que começam as aulas a 15 de setembro. Depois da experiência do ano passado, os diretores tinham medo que as coisas corressem mal outra vez e, para não correr riscos, optaram por marcar para os últimos dias”, explicou Filinto Lima, que é também diretor do agrupamento de escolas Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia.

No ano passado, os atrasos na colocação de docentes fizeram com que milhares de alunos ficassem mais de um mês sem professores. Uma situação que não se irá repetir este ano, garantiu Filinto Lima, dizendo que “o número de professores em falta é residual”.

No agrupamento de escolas de Benfica, por exemplo, faltam apenas seis professores num universo de 242 docentes, contou à Lusa o diretor Manuel Esperança, que também optou por começar as aulas só final da semana: “Apontámos todos para a reta final, com receio de não ter todos os professores”, disse.

Além destes seis docentes, Manuel Esperança terá depois de tratar dos casos dos 16 professores dos quadros que estão de baixa e que precisam de ser temporariamente substituídos, uma situação que irá começar a tratar na quarta-feira.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) está a fazer um levantamento junto dos estabelecimentos de ensino e diz que já encontrou “algumas escolas onde ainda faltam alguns professores”, explicou José Alberto Marques.

Este ano, 5.878 estabelecimentos de ensino da rede pública vão receber cerca de um milhão e duzentos mil alunos, segundo os dados mais recentes do Ministério da Educação e Ciência (MEC).

O novo ano fica marcado pela obrigatoriedade do inglês no 3.º ano de escolaridade, o que, segundo Filinto Lima, não deverá trazer problemas.

“Esta foi uma boa medida do ministério. O único problema parece ser o dos professores colocados em várias escolas. Eles terão de fazer várias viagens e, em especial no interior do país, há escolas que ficam muito distantes umas das outras”, defendeu, pedindo ao próximo executivo que aceite pagar os quilómetros feitos pelos docentes e que contabilize como componente letiva as horas gastas nas deslocações.