O grupo de 74 sírios que chegou esta semana ao aeroporto de Lisboa, com passaportes turcos falsificados, terá chegado a território nacional trazido por uma rede de imigração ilegal, escreve o jornal «Público». A rede terá fornecido os documentos falsos, guiado o grupo da Turquia, a Marrocos e depois até à Guiné-Bissau.

De acordo com a mesma notícia ainda não se conhece o valor pago à rede. No entanto, o método já terá sido utilizado há alguns meses por outro grupo de árabes, que saíram de Bissau, rumaram a Lisboa e, depois, seguiram para outros países europeus. Apesar da maioria das pessoas apenas querer fugir da guerra, o método também tem sido utilizado por alguns radicais para chegarem à Europa.

A ligação aérea Bissau-Lisboa é considerada como a mais problemática pelas autoridades portuguesas e, por isso mesmo, foram tomadas medidas acrescidas no seu controlo pelos agentes dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), escreve ainda o «Público».

Pouco tempo antes da partida do voo TP 202 da TAP para Lisboa, o oficial de ligação do SEF em Bissau não foi autorizado a entrar no aeroporto. A informação foi confirmada ao jornal diário pelas autoridades guineenses que alegam que o oficial não tinha visto de entrada, pelo que não podia sair do avião.

A situação não será inédita. O atual Governo da Guiné-Bissau, que resultou de um golpe de estado, não é reconhecido pela União Europeia e por Portugal como legitimo. Mas as autoridades guineenses consideram que os inspetores do SEF não tem poderes legais para verificarem os documentos dos passageiros que embarcam para Lisboa em Bissau.

Quanto ao facto de Portugal considerar a situação grave e assumir que coloca em causa as relações diplomáticas entre os países, o porta-voz do Governo de transição, Fernando Vaz, questiona «Mas quais relações, se elas não existem?».

O Instituto da Segurança Social (ISS) informou esta quarta-feira que está a efetuar a avaliação e caracterização individual e familiar dos 74 refugiados sírios retidos no aeroporto de Lisboa por uso de passaportes falsos.