Cerca de duas centenas de reformados do Metropolitano de Lisboa exigiram  esta terça-feira a reposição dos complementos de reforma que não recebem há um ano, e que representavam entre 40 a 60% dos rendimentos.

Os reformados do Metro estiveram concentrados toda a manhã no interior da estação do Marquês de Pombal, em Lisboa, onde receberam dirigentes sindicais, como o líder da União Geral de Trabalhadores (UGT), Carlos Silva, e o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN), Arménio Carlos e não faltou a alusão à nova situação grega. 

Há um ano, mais de mil reformados do Metro perderam o complemento de reforma que tinha levado a maioria deles a aceitar a reforma antecipada. Na prática, os rendimentos destes ex-trabalhadores caíram «em montantes desde os 40 aos 60%», segundo Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), destacando «situações de trabalhadores que estão sem casas, com processos de insolvência e que tem de ser a família a dar-lhes de comer».

«Fomos empurrados para a rua. Nós não queríamos ir, queríamos estar a trabalhar, mas, para reduzir o pessoal, para a empresa ficar mais viável, convidaram-nos a ir embora com o complemento e, depois de nos apanharem na rua, puxaram-nos o tapete», resumiu António Mendes.

Mais prático, Manuel Correia só quer que lhe paguem «o que lhe roubaram».

«Foi um corte um bocado elevado. Nesse caso [sem o complemento de reforma], estava a trabalhar ainda», disse.

Por seu turno, Francisco Jacinto diz-se duplamente enganado, num acordo que fez com que a empresa poupasse «milhares e milhares de euros». 

«Além de perderemos 40 a 60% daquilo que ganhávamos, fomos absolutamente enganados com má-fé, porque todos nós viemos antecipadamente e se viéssemos agora estávamos a ganhar mais 6% ao ano, porque não eramos penalizados. Eu, que saí há quatro anos, tinha mais 25% se me tivesse reformado agora», realçou.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, ouviu queixas e considerou que a situação destes trabalhadores «roça o ridículo, aquilo que não se deve aceitar em democracia», e que, mais do que os custos da reposição dos complementos, tem «o custo da dignidade humana, do trabalhador, do respeito pela palavra dada».

«Espero que os ventos da Grécia soprem em Portugal nos próximos meses, porque, efetivamente, nós não podemos com as políticas de austeridade com que temos sido brindados nos últimos anos. E está provado que esta política chumbou», afirmou o dirigente, salientando que já abordou a questão destes trabalhadores com o secretário-geral do PS, António Costa, e que na quarta-feira irá abordá-la também com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro.

Para Arménio Carlos, líder da CGTP-IN, «no quadro de aproximação das eleições, é preciso que todos [os partidos] clarifiquem qual é a sua posição no caso de virem a formar Governo».

«Temos um Governo que diz que não tem dinheiro para pagar os complementos de reforma, mas continua a ter dinheiro para pagar, nomeadamente, o valor exorbitante dos ‘swaps’, que foi um negócio ruinoso para as empresas públicas, mas também para a economia do país», disse, considerando que isto mostra que o Governo está «do lado dos poderosos para extorquir [a estes reformados] o pouco que têm e que é fruto do rendimento do trabalho», como reporta a Lusa.