A família do refém lusodescendente Gilberto Rodrigues Leal sequestrado no Mali, cuja morte foi anunciada por fundamentalistas islâmicos, acusou hoje o Governo e os «media» franceses de terem esquecido o refém.

«Durante oito meses só se falou dos jornalistas na Síria, esqueceram-se dos dois reféns no Mali», disse à agência noticiosa francesa AFP David Rodrigues Leal, irmão de Gilberto, numa referência aos jornalistas franceses libertados neste fim de semana, após dez meses de cativeiro na Síria.

Um outro francês, Serge Lazarevic, de 50 anos, continua refém no Mali, onde foi sequestrado em 2011.

«Tenho a impressão de que se o meu irmão tivesse mais "valor", e não fosse um simples reformado, talvez as coisas se tivessem passado de outra forma», acrescentou.

Em várias ocasiões, a família de Gilberto, sequestrado em novembro de 2012, preocupados pela ausência de provas de vida, enviaram pedidos aos principais responsáveis do Movimento para a Unidade e Jihad (guerra santa) na África Ocidental (MUJAO), através do "site" mauritano Sahara media e da agência noticiosa mauritana ANI.

Em dezembro, a irmã Irene expressou os seus receios, devido ao «silêncio ensurdecedor» e à «ausência de qualquer notícia» desde 26 de janeiro do ano passado, data na qual o MUJAO tinha anunciado à AFP estar pronto para negociar a libertação de Gilberto Rodrigues Leal.

«O que mais queremos é que (a situação de) Gilberto não caia no esquecimento», disse na altura Irene Rodrigues.

A 20 de novembro de 2012, o sexagenário foi raptado por homens armados perto de Kayes, no oeste do Mali, quando circulava numa autocaravana, proveniente da Mauritânia. No dia 22, o MUJAO reivindicou o sequestro.

Atualmente, só um francês continua sequestrado no Mali. Lazarevic foi raptado a 24 de novembro de 2011, juntamente com Philippe Verdon, que foi encontrado morto, com uma bala na cabeça, em julho do ano passado.

Este sequestro foi reivindicado pela Al-Qaida no Magrebe Islâmico (AQMI) e a família do franco-sérvio não tem notícias desde que recebeu um vídeo, em que Lazarevic aparecia vivo, alguns meses após o rapto.