A diretora regional de Cultura do Centro, Celeste Amaro, anunciou este domingo que as obras de recuperação da casa do cônsul Aristides de Sousa Mendes, situada em Cabanas de Viriato, devem ter início no final de maio.

Celeste Amaro, que participou este domingo à tarde num cordão humano em defesa da Casa do Passal, que se encontra em ruínas, explicou que decorre a fase final do concurso público para substituição da cobertura, reforço e estabilização estrutural, com um valor base de 316.983 euros e um prazo de execução de 210 dias.

Segundo a responsável, as obras incluem a recuperação da cobertura e das janelas da cobertura e toda a parte estrutural de pilares que sustentam a casa.

Na parte exterior «será feita a picagem das paredes, a pintura, e possivelmente, se ainda houver dinheiro, iremos ao resto das janelas, porque interessa-nos fechar a casa», acrescentou.

O presidente da Câmara de Carregal do Sal, Rogério Abrantes, avisou Celeste Amaro que não a largará até que esteja garantida também a segunda fase das obras, com vista à criação de um museu, cujo projeto deverá estar concluído até ao final do ano.

Aproveitando as cerca de quinhentas pessoas presentes no cordão humano, o autarca apelou àquelas que tenham em casa objetos que pertenciam à Casa do Passal que informem a Câmara, para que futuramente eles possam vir a ser integrados no museu.

Celeste Amaro disse aos jornalistas que a casa pertence à Fundação Aristides de Sousa Mendes e que terá de se pensar, em conjunto com a Câmara, no destino a dar-lhe.

«A segunda fase terá de ser bem pensada e certamente que haverá dinheiro para se recuperar, até porque todos sabemos que há muita gente lá fora interessada em a financiar», acrescentou.

Luís Silva, uma das pessoas que organizou a iniciativa deste domingo, frisou a necessidade de as obras da Casa do Passal reconhecerem o feito de Aristides de Sousa Mendes, que salvou milhares de pessoas do Holocausto.

«Queremos que finalmente seja feita justiça, 60 anos após a morte dele», frisou.

Luís Silva - que vive em Inglaterra, mas tem casa no Algarve - descobriu Aristides de Sousa Mendes há cerca de dez anos e nunca mais deixou de procurar informação sobre a sua vida.

«Vasculhei livros, na Internet e descobri um ato corajoso de alguém que pôs em perigo 14 filhos, a família toda, a carreira profissional e a vida dele, em prol de pessoas que não conhecia, mas que sentia que o ato dele podia salvar», recordou.

Maria da Conceição Martins vive mais perto, no concelho vizinho de Nelas, e não quis deixar de participar neste ato de «muito simbolismo», dedicado a uma pessoa que «salvou 30 mil vidas de uma morte horrível».

«Estamos a precisar de muitos exemplos de nobreza e de justiça nos tempos que correm», sublinhou a mulher, que tinha nas mãos um ramo de flores do seu quintal, para ir colocar no túmulo do cônsul português.

Entre os presentes, estava também José Rui Martins, da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), para homenagear «um herói nacional».

«É um imperativo nacional e de cidadania dar a esta casa a notoriedade que ela merece. Gostava que um dia fosse um lugar de memória, um espaço onde os movimentos cívicos e os jovens possam ter conhecimento da importância da ação deste homem», frisou.