A Tratolixo recebeu 1800 toneladas de resíduos do município de Lisboa, transportados para Trajouce devido à greve da Valorsul, segundo fonte da Amtres-Associação de Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra para o Tratamento de Resíduos Sólidos.

Desde as 16:00 de quarta-feira e até meio da tarde de quinta-feira foram descarregar no ecoparque de Trajouce, concelho de Cascais, 281 viaturas de resíduos da Câmara de Lisboa, acrescentou à agência Lusa a mesma fonte da Amtres, a associação que controla a Tratolixo.

A Câmara de Cascais, em comunicado enviado quinta-feira à noite à Lusa, esclarece que, no âmbito da Amtres e «a pedido da Câmara Municipal de Lisboa, a autarquia de Cascais abriu uma situação de exceção com o objetivo de receber os resíduos sólidos urbanos (RSU) da capital».

A «operação pontual durou apenas 24 horas» e «a resposta positiva da Câmara de Cascais foi motivada pela impossibilidade reincidente de receção dos RSU nas instalações da Valorsul», explica a autarquia presidida por Carlos Carreiras (PSD).

Na mesma nota, a autarquia frisa que, «com esta operação, confirma-se toda a capacidade de atuação e o trabalho desenvolvido pela Tratolixo na receção e encaminhamento de resíduos para reciclagem, aterro e valorização energética».

A câmara agradece ainda o sucesso da «complexa operação logística» aos profissionais e administração da Tratolixo, bem como à PSP e Polícia Municipal de Cascais «na organização da circulação dos veículos da autarquia de Lisboa».

A decisão de receber resíduos de Lisboa na tarde de quarta-feira visou «responder a uma situação de emergência e saúde pública em Lisboa, que estava mais do que comprovada», explicou esta sexta-feira à Lusa Ana Duarte, administradora da Tratolixo, em representação da Câmara de Sintra.

O presidente do conselho de administração da empresa, João Dias Coelho, adiantou na quarta-feira que os resíduos de Lisboa vão ser tratados e encaminhados para depósito em aterro. A autarquia liderada por António Costa (PS) vai pagar pela operação o mesmo valor de 58,58 euros por tonelada que é cobrado aos municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra.

A greve de quatro dias da Valorsul terminou às 24:00 de quinta-feira e os trabalhadores protestam contra cortes salariais e a privatização da participação detida pela Empresa Geral de Fomento (EGF), sub-holding do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos.

A Valorsul serve 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.