A Associação Nacional das Farmácias esclareceu esta quarta-feira que há casos de medicamentos que podem ser vendidos sem apresentação, logo, da receita médica, embora ela seja obrigatória. Diz a ANF que a dispensa sem receita de medicamentos de prescrição obrigatória está prevista em algumas situações, como para impedir que doentes crónicos interrompam a medicação.

A propósito de um estudo da DECO que indica que 14% dos inquiridos compraram medicamentos sujeitos a receita médica sem esta prescrição, a ANF refere que esta percentagem “revela uma evolução significativa de um indicador importante”.

“Isto revela uma melhoria significativa na educação para a saúde da população”. “O padrão de segurança das farmácias portuguesas é muito superior à média europeia”. “Nalguns casos, a dispensa sem receita justifica-se e está prevista na lei, como, por exemplo, para evitar que os diabéticos ou doentes crónicos interrompam a medicação”


O inquérito da DECO, cujos resultados serão publicados na edição de junho da Teste Saúde, baseou-se na participação de 1.345 inquiridos.

Os farmacêuticos ou técnicos superiores de farmácia são “os primeiros profissionais consultados por 78% dos inquiridos quando surge um problema menor de saúde, como uma dor de cabeça, azia ou constipação”, refere o estudo.

Segundo o inquérito, “as farmácias nem sempre têm o que os consumidores procuram: quatro em cada dez inquiridos revelaram ter desistido de comprar um fármaco no último ano” por este não existir na farmácia.

“Metade indicou ter esperado mais de 24 horas pela sua chegada ao balcão e a mesma proporção afirmou ter sido obrigada a percorrer vários estabelecimentos à procura”, lê-se na publicação da DECO.

A ANF adverte, na mesma nota, que “as falhas de medicamentos são a maior frustração das farmácias portuguesas”.

“A crise e as medidas de austeridade deixaram 500 farmácias a braços com processos de insolvência e penhora. Como qualquer empresa em risco de falência, essas farmácias têm sérios problemas para se abastecerem junto dos fornecedores. Por isso são urgentes medidas para afastar o risco, real, de rutura da rede de farmácias”, acrescenta.

Para a ANF, “o estudo mostra que a competência, a proximidade e a facilidade de acesso aos farmacêuticos têm resultados superiores em Portugal do que na generalidade dos países desenvolvidos”. “Mais de 90% dos inquiridos dizem-se satisfeitos ou muito satisfeitos com a simpatia dos funcionários e com a facilidade em obter informação sobre saúde e medicamentos”, sublinha a associação.