O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d¿Oliveira Martins, presta uma «homenagem sentida» a Vasco da Graça Moura, que considera «um dos maiores da cultura portuguesa», um escritor de «todos os ofícios».

«É um grande amigo que perco, que conheço há cerca de quarenta anos e com quem tive sempre uma relação de admiração e estima pessoal, membro ativo do Centro Nacional de Cultura, deixa-nos um lugar insubstituível», refere numa declaração enviada este domingo à agência Lusa.

O escritor e tradutor Vasco Graça Moura, de 72 anos, presidente do Centro Cultural de Belém desde janeiro de 2012, morreu ao fim da manhã deste domingo, em Lisboa, devido a doença prolongada.

Para o presidente do Tribunal de Contas, Graça Moura «é uma das grandes referências da cultura portuguesa contemporânea».

Recorda «um humanista dos tempos de hoje - frontal, corajoso, determinado», mas também «o poeta e o ensaísta dotadíssimos, um escritor de todos os ofícios e sempre com elevadíssima qualidade e sensibilidade, capaz de abranger de um modo amplo e compreensivo a identidade portuguesa e a sua ligação universal desde os clássicos aos modernos».

Entre os trabalhos do escritor, o antigo ministro destaca o recente ensaio sobre as identidades europeia e portuguesa que elogia como sendo de «uma grande lucidez e pertinência», a tradução de «A Divina Comédia» de Dante e o contributo para compreender a leitura moderna de Camões, dando o exemplo da versão de «Os Lusíadas» para jovens.

Esta obra «é fundamental quer nos domínios cultural e literário, quer pedagogicamente», salienta.

«Não há palavras neste momento. Apenas o silêncio de uma sentida homenagem a um dos nomes maiores da cultura portuguesa», diz Guilherme d'Oliveira Martins.