A poetisa e professora universitária Ana Mafalda Leite considerou que a morte de Vasco Graça Moura representa «uma enorme perda» para literatura portuguesa, para a cultura em geral e descreveu o poeta como um homem de múltiplas facetas.

«Vasco Graça Moura foi um homem de múltiplas facetas, desde um grande poeta, a um crítico e ensaísta, a um pensador da literatura portuguesa, a um tradutor que trouxe para a língua portuguesa poetas de várias línguas de imensa importância, da Itália, de Inglaterra, [como] Shakespeare», disse este domingo à agência Lusa Ana Mafalda Leite.

A especialista em literaturas africanas de língua portuguesa e professora da Universidade de Lisboa lembrou os vários cargos públicos ligados à cultura que o poeta e tradutor ocupou ao longo da vida, como secretário de Estado, deputado ou presidente do Centro Cultural de Belém.

«Sem dúvida, é uma enorme perda para a nossa literatura e para a cultura em geral», referiu Ana Mafalda Leite.

Também o poeta e coordenador do Plano Nacional de Leitura, Fernando Pinto do Amaral, destacou que Vasco Graça Moura era uma «figura absolutamente ímpar», com a capacidade de chegar a todas as pessoas, das mais cultas às mais simples.

«Era um grande escritor. Era um escritor em todos os sentidos das palavras: escrevia prosa, poesia, ensaios, escrevia muito bem. Era um homem cultíssimo, de uma cultura vastíssima como é raro encontrar», disse o também poeta.

Em declarações à Lusa, Fernando Pinto do Amaral frisou que, apesar disso, «conseguiu sempre manter uma enorme ligação ao quotidiano e à vida dita comum».

«A sua escrita pode ser lida em muitos graus. Para quem tem referência culturais, essa escrita implica uma serie de referências mas, por outro lado, quem não tiver essas referências pode lê-la e, mesmo assim, é uma escrita fantástica», afirmou.

«Tinha uma enorme capacidade de chegar diretamente às pessoas sem, ao mesmo tempo, apagar a imensa cultura que tinha. Conseguia conciliar isso tudo», acrescentou o poeta.

Afirmando que Vasco Graça Moura «era um homem com imensas dimensões», Fernando Pinto do Amaral descreveu-o também como uma pessoa «extremamente inquieta, sempre com vontade de fazer mais, preocupado com o futuro da Europa e de Portugal».

«É muito difícil falar de uma só dimensão do Vasco. É uma figura única», concluiu.