O vento forte que se fez sentir durante a noite e que se vai manter ao longo do dia levou a reacendimentos de vários incêndios. Às 19:39 desta quarta-feira, a Autoridade de Proteção Civil (ANPC) considerava como “ocorrências importantes” 14 incêndios rurais. O incêndio que mais meios mobiliza está a decorrer no concelho de Águeda, distrito de Aveiro. Um fogo que estava, às 15:30, "descontrolado", segundo informou fonte dos bombeiros à Lusa. 

O incêndio que decorre em Águeda já tinha sido dado como dominado, mas teve um reacendimento. Às 17:39 encontravam-se no local 304 operacionais, 90 veículos e dois meios aéreos a combater as chamas. 

O fogo, que teve início na madrugada de segunda-feira, lavra num povoamento misto e estava, às 15:30, "descontrolado". Foi nessa altura que foram pedidos meios aéreos com urgência.

"Neste momento, estamos a precisar urgentemente de meios aéreos pesados. Já pedimos várias vezes, mas calculamos que os pedidos serão tantos que não há vazão para tudo", disse à Lusa, o comandante dos Bombeiros de Ílhavo, Carlos Mouro, que está a comandar as operações no terreno.

O mesmo responsável referiu que o incêndio continuava desfavorável, adiantando que as chamas avançavam em quatro frentes, duas das quais com uma extensão de alguns quilómetros.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais, fala numa "situação de catástrofe", afirmando que "há povoações cercadas pelas chamas e muitas estradas cortadas".

Apesar de ainda não ter uma estimativa da área ardida, o autarca não tem dúvidas de que este será o maior incêndio de sempre em Águeda.

Casas em risco em Albergaria-a-Velha

Um outro incêndio, que deflagra no concelho de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, também estava às 15:30 “descontrolado”. O fogo estava a colocar “casas em risco” em Soutelo, Sernada e Foz do Rio Mau, sendo necessário um reforço de meios, revelou o comandante dos bombeiros.

“Está tudo muito descontrolado. Não há meios. Há casas em perigo”, adiantou à Lusa José Valente, comandante dos bombeiros de Albergaria-a-Velha, responsável pela coordenação dos trabalhos relacionados com a reativação de um fogo na localidade de Foz.

De acordo com a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), atualizada às 15:00, este incêndio está a ser combatido por 63 homens e 10 meios terrestres.

Arouca: passadiços do Paiva evacuados

Aveiro, Viana do Castelo, Braga e Porto são os distritos que mais preocupam os bombeiros, em Portugal continental, nesta quarta-feira, sendo Aveiro o distrito mais fustigado.

No concelho de Arouca, Aveiro, 213 operacionais, com o apoio de 49 veículos, combatem o incêndio que lavra há quase dois dias em Janarde. 

As chamas obrigaram à evacuação de várias aldeias durante a madrugada. A aldeia da Paradinha foi totalmente evacuada, enquanto de Meitriz, Ponte de Telha e Janarde foram retirados os idosos, deficientes e pessoas de mobilidade reduzida, sendo transportados para a Santa Casa da Misericórdia.

Já esta tarde, a Câmara Municipal de Arouca decidiu retirar os cerca de 1500 visitantes que esta tarde circulavam pelos passadiços do Paiva para prevenir eventuais complicações devido ao "risco moderado" de essa estrutura ser ameaçada pelo incêndio.

Em declarações à Lusa, o presidente da autarquia justifica a medida com o facto de o fogo "ter galgado a margem direita do rio Paivó e estar agora no lado esquerdo", mais próximo do passadiço.

"O risco é apenas moderado, mas decidimos retirar as pessoas por uma questão de máxima precaução", afirma José Artur Neves. "Os técnicos dos nossos serviços e as forças de segurança já não deixam entrar mais ninguém e estão a retirar as pessoas que estão no passadiço, que serão umas 1500 nesta altura", acrescenta.

Quanto aos visitantes retirados do passadiço do Paiva, cujo acesso implica reserva prévia e o pagamento de 1 euro por pessoa, o autarca adianta que "a Câmara dará oportunidade a todas essas pessoas de concretizarem o passeio noutra altura, sem quaisquer custos".

Também em Arouca, houve uma reativação de um fogo que teve início no sábado, cerca das 19:00, “num povoamento misto”. Às 17:39, o fogo estava já em fase de resolução. No local encontram-se 68 bombeiros e 29 veículos a combater o incêndio com quatro frentes ativas.

Outros fogos complicados

Já no distrito do Porto, no concelho de Gondomar, um incêndio mobiliza 276 elementos e 53 meios terrestres. As chamas, que deflagraram cerca das 14:55 de segunda-feira, lavram numa zona de mato.

Em Leiria, no concelho de Castanheira de Pera, encontram-se 216 operacionais no local, apoiados por 69 meios terrestres e dois meios aéreos a combater o reacendimento de um fogo que deflagrou num povoamento florestal, pelas 23:50 de segunda-feira. O incêndio tem duas frentes ativas.

No distrito de Viana do Castelo, no concelho de Arcos de Valdevez, há um incêndio que também já tinha sido dado como dominado e que está a mobilizar 167 elementos e 55 viaturas. O fogo teve início na madrugada de segunda-feira e decorre numa área de mato.

Ainda em Viana do Castelo, um outro incêndio, que lavra desde terça-feira numa zona de mato, apresenta duas frentes ativas e já conta com 93 operacionais e 27 veículos no local. Há ainda um terceiro fogo neste concelho, que mobiliza 71 operacionais e 22 meios.

Aveiro, o distrito mais fustigado

O distrito de Aveiro é um dos mais fustigados pelas chamas, com sete incêndios de grande dimensão. 

Neste distrito, além do incêndio de Águeda e dos dois incêndios em Arouca, há mais quatro fogos. 

No concelho de Paiva, há um fogo com quatro frentes ativas que está a ser combatido por 63 operacionais e 18 viaturas, numa zona de floresta, desde as 00:10 de hoje.

Já no concelho de Anadia, estão 60 elementos e 16 meios terrestres a lutar contra um incêndio que teve início na madrugada de hoje, numa área florestal.

O incêndio rural que deflagrou no domingo, cerca das 13:30, no concelho de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, num povoamento florestal, está a ser combatido por 58 operacionais, apoiados por 15 viaturas.

Em Albergaria-a-Velha um outro incêndio mobiliza 63 operacionais, apoiados por 19 meios terrestres.

Fogos noutras zonas do país

No distrito de Castelo Branco, um incêndio decorre no concelho de Idanha-a-Nova, mobilizando 93 operacionais, apoiados por 31 meios terrestres. Às 17:39, o incêndio estava já em fase de resolução.

Em Viseu, um incêndio mobiliza 125 operacionais, apoiados por 33 meios terrestres.

A Proteção Civil destaca na página como “ocorrências importantes” os fogos com duração superior a três horas e com mais de 15 meios de proteção e socorro envolvidos, mas apenas contempla os incidentes do continente, já que as regiões autónomas têm serviços próprios nesta área.

Na Madeira, as chamas provocaram três mortos e obrigaram mais de mil pessoas a abandonar as casas e os hotéis onde estavam alojadas, na sequência do fogo que na terça-feira atingiu a zona baixa da cidade do Funchal.