As administrações regionais de saúde (ARS) sentem dificuldades em manter ou implementar programas de rastreios oncológicos devido, essencialmente, à falta de pessoal e de dinheiro, segundo um relatório da Direção-geral da Saúde (DGS).

“Existem muitas dificuldades na manutenção, alargamento e implementação de novos rastreios por parte das ARS que se prendem com motivos organizacionais, logísticos e de falta de recursos humanos e financeiros”, conclui o relatório da Avaliação e Monitorização dos Rastreios Oncológicos Organizados de Base Populacional referente a 2014 e divulgado na quarta-feira no site da DGS.


Segundo o documento, a situação é “particularmente crítica no caso dos rastreios do cancro do colo do útero e do cancro do cólon e reto”.

O Programa Nacional para as Doenças Oncológicas tem tentado, junto das ARS, incrementar aqueles tipos de rastreio, “o que se refletiu num aumento de convocatórias enviadas em 2014” aos utentes do Serviço Nacional de Saúde.

Contudo, o relatório admite que “esse esforço não se refletiu num aumento proporcional das taxas de rastreio populacional, no caso dos rastreios do cancro do colo do útero, e do cólon e reto, em virtude da diminuição da adesão das populações”.

Da parte das ARS há interesse em aumentar as coberturas geográficas e populacionais dos rastreios ao cancro, mas “existem inúmeros constrangimentos de ordem financeira e logística e de recursos humanos que impedem a sua concretização”.


O relatório recomenda que “a dotação financeira às ARS” para os encargos com os rastreios “deve ser inequívoca e sustentada no tempo” para que não se criem intervalos temporais que paralisem o processo, já que quando é iniciado não deve ser interrompido.

É ainda sugerida a contratação de “serviços indispensáveis à prossecução dos programas de rastreio”. Isto é sobretudo urgente nas ARS com mais população já que implicam “procedimentos processuais mais complexos e morosos”.