A Entidade Reguladora da Saúde apontou falhas graves ao hospital Padre Américo em Penafiel no caso da morte de uma criança de quatro anos em 2013, que não sobreviveu a uma cirurgia de rotina.
 
A ERS concluiu, na sequência de um inquérito, terem existido falhas no processo anestésico de Rafaela e no acompanhamento médico pós-operatório, que foi feito por telefone nas primeiras 10 horas.
 
As conclusões do regulador não surpreenderam os pais de Rafaela, que por várias vezes avisaram a enfermeira de que algo de mal estava a ocorrer.
 
“A menina vomitava sucessivamente e a enfermeira apenas ligava para a médica que a operou a dizer que a número 1 estava a vomitar. Ela nunca teve a assistência de um médico ao pé da minha filha”, contou à TVI a mãe, Fernanda Nunes.
 
Rafaela foi transferida do recobro para a enfermaria, onde sofreu uma forte convulsão. Só nessa altura e, depois de muitos alertas dos pais, apareceu o primeiro médico ao fim de dez horas da operação.
 
“A menina teve uma convulsão muito grande, eu pedi ajuda às enfermeiras e as enfermeiras do Piso 6 é que pediram ajuda à Urgência Pediátrica. E aí assim, as médicas foram todas em auxílio da Rafaela. Das 09:30 às 18:00 não houve ninguém que quisesse saber da minha menina”, lamentou, ainda, Fernanda Nunes.
 
A morte de Rafaela, em novembro de 2013, chega em setembro à justiça, quando os pais forem ouvidos pelo Ministério Público. E negligência é uma palavra que não lhes sai da cabeça.
 
 “O médico do INEM disse-me que se tivesse sido feito alguma coisa nas primeiras três horas a menina ainda estaria connosco. Nada foi feito”, afirmou o pai, José Alexandre.
 
A TVI contatou o hospital Padre Américo que garantiu esclarecimentos sobre este caso em comunicado.