Os técnicos de diagnóstico anunciaram uma greve “a partir de 29 de junho e por tempo indeterminado”, defendendo que “é inevitável” que a paralisação aconteça tendo em conta a ausência de “quaisquer garantias de cumprimento dos acordos já assinados”.

Segundo um comunicado do Sindicato dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, na reunião que mantiveram com a tutela na segunda-feira foram confrontados com uma “grande alteração” ao diploma que institui uma carreira específica para estes profissionais.

O sindicato refere no comunicado que a proposta do Governo prevê “passar as carreiras de três para duas categorias, com todas as implicações ao nível da estrutura hierárquica da carreira, dos concursos e da avaliação do desempenho”.

Em face destas propostas do Governo que, pela sua natureza, iriam provocar uma nova negociação e, provavelmente, uma nova publicação em BTE [Boletim do Trabalho e Emprego], eternizando assim o processo legislativo, os sindicatos rejeitaram liminarmente as propostas, exigindo o compromisso público e devidamente assinado pelos membros do Governo, com envio imediato para aprovação em Conselho de Ministros”, lê-se no comunicado.

O sindicato recorda que há 10 mil profissionais a exigir a regularização da questão das carreiras profissionais e que a taxa de adesão à greve de 21 e 22 de junho, próxima dos 100%, “paralisou o Serviço Nacional de Saúde”.

A luta começou com uma manifestação em frente ao Ministério da Saúde e continuará agora por tempo indeterminado. As suas reivindicações continuam a ser a revisão/criação das carreiras que lhes são negadas há 17 anos, mesmo após ter sido fixada a imperatividade desta atualização através da Lei do Orçamento para 2014. No decurso da greve, serão assegurados os serviços mínimos”, refere o comunicado da estrutura sindical.

O sindicato recorda que estes técnicos abrangem 19 profissões, de áreas como as análises clínicas, a radiologia, a fisioterapia, a farmácia, a cardiopneumologia, entre outras.

Esta greve afetará assim praticamente todos os serviços de saúde, com especial incidência nos blocos operatórios, altas e internamentos hospitalares, diagnósticos diferenciados em todas as áreas de intervenção clínica, planos terapêuticos em curso, distribuição de medicamentos, prevenção em saúde, etc”, alerta o sindicato.

Estes técnicos manifestaram-se no primeiro dia da recente greve frente à Assembleia da República para exigir a criação das carreiras.