Os jornalistas da Antena 1, reunidos em plenário esta sexta-feira, condenaram as alterações nas emissões da madrugada, exigindo «imediatamente» a suspensão do novo modelo «de piloto automático» e a reposição do «padrão normal da emissão».

De acordo com um comunicado do plenário, a que a agência Lusa teve acesso, «reunidos em Plenário de Redacção, os jornalistas do Serviço Público de Rádio e Televisão de Portugal foram unânimes na condenação das alterações introduzidas no horário das madrugadas de 12 de maio que constituem um ataque violento ao Serviço Público de Rádio».

Na nota pode ler-se ainda que «no plenário, ficou claro que a Direção de Informação acompanha a redação na crítica ao modelo de piloto automático nas madrugadas».

O Conselho de Redação da Antena 1 demitiu-se na segunda-feira em protesto contra as alterações na condução das emissões de madrugada, processo que este órgão considera «colocar em causa a Informação» da rádio pública.

De acordo com o CR, o processo de alteração (os animadores saíram de antena, ficando a emissão em piloto automático, excetuando nos noticiários de hora a hora) «foi consumado na madrugada de domingo para segunda-feira, com prejuízo da qualidade do serviço informativo da Rádio Pública, tal como o CR/RDP já havia alertado na sexta-feira, dia 09 de maio, considerando que a própria lei não foi respeitada», de acordo com um comunicado enviado na altura.

Entretanto, a Direção de Informação (DI) da rádio pública anunciou à redação, na terça-feira, ter obtido garantias de que, apesar da alteração na condução das emissões de madrugada, «serão asseguradas todas as condições necessárias ao bom desempenho do trabalho jornalístico».

Os jornalistas hoje reunidos defendem que as alterações «colocam em causa o padrão, a estética e a qualidade da emissão da Rádio de Serviço Público», considerando que «a lógica que presidiu a estas alterações é uma lógica que não é a de Serviço Público mas sim de rádio privada».

Aqueles profissionais alertam que as alterações «afetam a própria qualidade da Informação, constituindo um condicionamento inaceitável em termos editoriais».

«Para além da questão de princípio (o Serviço Público de Rádio não pode funcionar em piloto automático), a aplicação das alterações revela uma total falta de respeito por ouvintes e profissionais», referem.

Os jornalistas garantem que «tudo farão para reverter esta situação e exigem que seja imediatamente suspenso o modelo de piloto-automático e que seja imediatamente reposto o padrão normal da emissão».