A Quercus associa-se a organizações espanholas para exigir o encerramento da Central Nuclear de Almaraz, defendendo que continua a revelar-se como um potencial perigo para a região transfronteiriça.

Quando se assinalam 30 anos sobre o acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, na altura integrada na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a associação ambientalista recorda que aquela central espanhola, localizada a 100 quilómetros da fronteira, junto ao rio Tejo, teve o seu período de atividade prolongado por 10 anos, apesar de "nem todos os fatores de risco terem sido considerados nos testes efetuados".

No dia 26 de abril de 1986, o reator número quatro da central soviética de Chernobyl explodiu durante um teste de segurança, um acidente que se deveu a um erro humano e a um defeito de conceção do reator soviético, modelo "RBMK" e que desencadeou a maior catástrofe nuclear civil.

O balanço das vítimas continua a ser controverso, algumas estimativas indicam milhares de mortos, mas apenas 56 mortos como vítimas diretas da catastrófe.

A Quercus considera que "há um risco preocupante com as centrais nucleares espanholas na medida em que nem todos os fatores de risco foram considerados nos testes efetuados" e aponta que "não estão contemplados os riscos de agressões externas, como atentados ou quedas de aeronaves".

Também não são tidos em conta os riscos em caso de acidentes naturais, de sismos a inundações, salienta a associação, nem os sistemas externos de gestão de socorro às centrais nucleares.

Por isso, a Quercus salienta ser importante continuar a alertar para os riscos que esta forma de energia comporta, "para que Portugal e o mundo estejam livres do perigo do nuclear".

A história "tem mostrado que é muito difícil de prever o desenrolar de acontecimentos como os ocorridos em Chernobyl" e que a gestão das centrais nucleares e dos resíduos que produz, mantidos milhares de anos, "é uma herança com futuro incerto legada às gerações vindouras", salienta a Quercus.

Os problemas, alertam os ambientalistas, estão no início do ciclo, nas explorações de urânio que causam problemas ambientais e de saúde graves em todo o mundo e, em Portugal, várias décadas após o fim da exploração deste minério, "os problemas não foram completamente diagnosticados e, por isso, estão ainda longe de estar resolvidos".

"Existem mais de sessenta minas abandonadas que continuam a poluir a água e os solos e a afetar as populações vizinhas", defendem, acrescentando o desconhecimento de um destino estável e seguro para os resíduos nucleares, como reporta à Lusa.