A Estradas de Portugal justificou, esta sexta-feira, o abate de árvores, criticado pela associação ambientalista Quercus, com o «risco efetivo de queda», que poderia colocar em causa a segurança de pessoas e bens.

Quercus acusa Estradas de Portugal de abater centenas de árvores sem necessidade

A associação ambientalista Quercus acusou hoje a Estradas de Portugal de estar a abater centenas de árvores, «alegadamente por razões de proteção civil», sem que isso seja necessário.

A associação dá como exemplo o corte de centenas de pinheiros mansos de grande dimensão, na Estrada Nacional 261, entre Melides e Santiago do Cacém, no litoral alentejano, sem que as árvores apresentassem problemas fitossanitários.

Em comunicado, a Estradas de Portugal (EP) refere que os motivos que conduziram ao abate de 73 árvores naquele troço «foram maioritariamente, a instabilidade da sua inserção nos taludes da estrada, com risco efetivo de queda colocando assim em causa a segurança de pessoas e bens».

A empresa adianta que «foram também selecionadas para abate outras árvores por motivos diversos, tais como vetustez, no caso de alguns eucaliptos, o facto de se tratar de espécies invasoras, no caso das acácias, e a ocorrência de alguns problemas estruturais, tais como podridões e copas mal conformadas geradores de risco de rutura e queda de ramos».

Os trabalhos naquele troço consistem, refere a EP, além do abate de árvores, «na poda de limpeza e manutenção de 111 árvores, na sua maioria pinheiros mansos».

A EP garante que «a seleção das árvores e o tipo de intervenção a executar foi realizada por técnicos especializados da empresa com habilitações e experiência em gestão da arborização».

De acordo com a Quercus, o risco de queda de árvores para esta estrada «era reduzido». A associação recorda que no último inverno, mesmo com as condições meteorológicas adversas que se registaram, as árvores resistiram¿.

Já a EP refere que, ao contrário do que diz a Quercus, «já ocorreram nesta estrada situações de queda de árvores e de ramos».

A associação ambientalista deu ainda conta de diversos casos de abates de árvores junto também a estradas municipais, em várias zonas do país, uma delas na Estrada Nacional 356 junto da Zona Industrial do Casal dos Frades, no concelho de Ourém, onde terão sido cortados cerca de uma dezena de choupos brancos e pinheiros bravos de grande porte.

A Quercus defende que «alguns não apresentavam risco evidente, mas foram abatidos apenas por prevenção».

A Câmara de Ourém justificou hoje o abate destas árvores com o risco de «queda iminente» para a via e infraestruturas privadas.