O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) negou hoje ter recusado receber um doente vítima de queimaduras que acabou por ser transportado de Viseu para o Hospital da Prelada (Porto), admitindo «erro de comunicação» entre os médicos.

Em causa, de acordo com uma notícia de hoje do jornal Público, está um doente vítima de queimaduras, que deu entrada no Hospital de Viseu e que, diz aquele jornal, terá sido recusado pelo CHUC na madrugada de domingo.

José Pedro Figueiredo, diretor clínico do CHUC, nega que tal tenha acontecido, afirmando, em conferência de imprensa realizada hoje, que «não foi recusada qualquer transferência de doentes do Hospital de Tondela-Viseu na data mencionada».

Segundo uma avaliação «preliminar» do inquérito interno que está a ser realizado, «a sensação que se tem é de que tenha havido um mal-entendido e um défice de comunicação entre os dois médicos» dos hospitais envolvidos, referiu José Pedro Figueiredo, levando essa falha à transferência do doente para o Hospital da Prelada do Porto.

O diretor clínico escusou-se a explicar como terá ocorrido a falha de comunicação, informando que tal só será possível de apurar «quando o inquérito terminar», o que pode «demorar mais alguns dias».

José Pedro Figueiredo salientou ainda que, apesar da alegada falha de comunicação, «a resposta ao doente foi assegurada», garantindo que «não há falta de capacidade de resposta» do serviço de urgência do CHUC, que «está devidamente equipado e preparado».

Ermida Rebelo, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, garantiu à agência Lusa que o CHUC «não se recusou a receber qualquer utente» e explicou que, «no âmbito da Rede de Referenciação de Urgência/Emergência, atenta a elevada diferenciação, o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra tem respondido, eficazmente, às situações que, por limitação de recursos humanos, técnicos ou materiais, não são passíveis de no Centro Hospitalar Tondela-Viseu serem convenientemente resolvidos».

«Foi entendimento transferir-se para a Prelada«, disse Carlos Ermida Rebelo, referindo-se ao caso do doente vítima de queimaduras.

As vítimas de queimaduras, ao contrário do que acontece com outras necessidades, são protocoladas com vagas nacionais e não regionais, isto é, os doentes que necessitem de cuidados em unidades de queimados e que tenham de ser transferidos podem ser transportados para Lisboa, Porto ou Coimbra, independentemente do local de primeira assistência.

O jornal «Público» escreve igualmente que o CHUC terá pedido para o doente só ser transferido às 09:00, quando o pedido terá sido feito às 03:00.