O homem que em junho de 2013 regou a ex-namorada com gasolina e lhe pegou fogo, em Celeirós, Braga, remeteu-se esta segunda-feira ao silêncio, no início do julgamento, no tribunal daquela comarca.

O arguido, de 35 anos, está acusado pelo Ministério Público de homicídio qualificado, na forma tentada.

Os factos remontam à noite de 15 de junho, no parque de estacionamento de um supermercado de Celeirós, em Braga, onde a vítima, de 28 anos, trabalhava.

O arguido, alegadamente movido por ciúmes, foi esperá-la no final do trabalho e, após uma breve troca de palavras, regou-a com gasolina, ateando-lhe fogo.

A mulher ficou envolta «num mar de chamas», tendo sofridos queimaduras de terceiro grau em várias partes do corpo, nomeadamente cara, cabeça e pescoço.

Esteve internada durante mais de um mês em estado de coma, mas entretanto recuperou.

O crime ficou registado nas câmaras de videovigilância do hipermercado.

O arguido foi detido dois dias mais tarde e encontra-se desde então em prisão preventiva.

A vítima contou esta segunda-feira em tribunal que namorara há anos com o arguido, mas entretanto começou a namorar com outro homem.

Uns tempos antes do crime, reencontrou o arguido, após o que terão começado um novo namoro.

A vítima disse que o arguido «bebia muito» e que uns dias antes do crime a agredira, pelo que decidiu pôr um ponto final na relação.

Na fase de instrução do processo, a defesa alegou que o arguido não tinha intenção de matar, pugnando para que ele fosse a julgamento apenas pelo crime de ofensa à integridade física qualificada.

Uma tese que não colheu junto do juiz de instrução criminal, que decidiu manter a acusação de homicídio qualificado, considerando que o arguido teve intenção de matar e agiu como se a ex-namorada «fosse coisa sua».

O juiz sublinhou ainda o facto de, após regar a vítima com a gasolina e lhe atear fogo, o arguido se ter ido imediatamente embora, «absolutamente indiferente» ao seu sofrimento, relata a Lusa.