O presidente da Câmara de Braga garantiu que os serviços municipais estão a fazer «um levantamento exaustivo» para esclarecer o processo de construção da estrutura de tijolo e cimento que ruiu na quarta-feira, matando três estudantes.

«Estamos a fazer um levantamento exaustivo do processo de licenciamento da estrutura, da propriedade dos terrenos onde foi implantada, de eventuais denúncias sobre a insegurança da estrutura e de ações tomadas na sequência dessas denúncias», disse Ricardo Rio à Lusa.

O autarca do PSD reiterou que ao atual executivo municipal, em funções desde 21 de outubro, «não chegou qualquer denúncia ou alerta» sobre a eventual insegurança da estrutura.

Trata-se de uma estrutura classificada pelo vereador do Urbanismo, Miguel Bandeira, como «peça de mobiliário urbano», onde foram embutidas 60 caixas de correio que serviram os moradores do prédio situado em frente, construído em 1990.

«Não sabemos se essa peça estava licenciada ou não, se fazia parte do projeto ou não, é uma questão que estamos a tentar apurar», referiu Ricardo Rio.

Na quarta-feira, no final de uma «guerra de cursos» integrada numa ação de praxe, alguns alunos do grupo vencedor terão subido aquele murete para festejar, mas a estrutura ruiu, atingindo vários alunos que tinham ficado em baixo. Três morreram e quatro sofreram ferimentos ligeiros.

Na rede social Facebook, foi divulgada uma carta que a administração do condomínio do prédio em frente teria enviado à câmara, a 2 de janeiro de 2009, alertando para a insegurança da estrutura.

Contactado pela Lusa, um elemento do anterior executivo (PS) disse não se lembrar da carta, porque são «aos milhares» as que chegam à câmara, mas referiu que «a estrutura, ao que tudo indica, seria privada, já que até acolhia caixas de correio de privados», pelo que a administração do condomínio «teria ela própria a obrigação de zelar pela segurança» da estrutura.

Disse ainda que, após receção dessas cartas, o «procedimento normal» era encaminhá-las para os serviços competentes, podendo haver intervenção direta do município nos casos em que fosse detetado «perigo iminente» para a segurança pública, sendo depois a fatura enviada para os proprietários.

Após a tragédia, os moradores na zona garantiram que entretanto já foram dados outros alertas, sobretudo face à «visível inclinação» que o muro apresentava.

Entretanto, já começou uma peritagem técnica aos escombros da estrutura para apurar as causas da derrocada.

Os três alunos que morreram na derrocada vão hoje a sepultar.

Na Universidade do Minho, foi decretado luto académico e suspensas as festas da Semana Académica.