O Ministério da Saúde lamentou esta terça-feira o que considera ser a «banalização da greve», a propósito da paralisação nacional dos enfermeiros marcada para quarta e quinta-feira.

«O Ministério da Saúde reafirma que lamenta a banalização da greve e o facto de, novamente, esta prejudicar apenas os utentes do Serviço Nacional de Saúde, que não têm quaisquer alternativas ao serviço público. Trata-se de uma contradição insanável: a anunciada paralisação poupa, de novo, os setores privado e o social, e afeta afinal o setor que o Sindicato diz querer defender», refere fonte oficial do Ministério, num comentário escrita enviado à agência Lusa.

O Ministério considerou ainda que as declarações feitas hoje pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses «não estão em sintonia com o compromisso explicitado» na segunda-feira pelo Ministério da Saúde «e que foi de autorização de contratação de mais de 1700 enfermeiros no período de outubro de 2014 a outubro de 2015».

O SEP considerou «manifestamente insuficiente» o número de profissionais que o Ministério da Saúde pretende contratar este e no próximo ano.

Após uma reunião na segunda-feira com o Ministério da Saúde, os enfermeiros decidiram manter dois dias de greve nacional para quarta e quinta-feira dois dias de greve nacional, um protesto que visa essencialmente lutar contra a «grave carência» de profissionais nas unidades públicas de saúde e pela dignificação da profissão e da carreira de enfermagem.

Nas contas dos sindicalistas, seriam precisos mais 25 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, a juntar aos cerca de 39 mil existentes nos serviços públicos.

«A quase totalidade dos enfermeiros faz entre 48 a 56 horas por semana, está impedida de gozar as folgas que a lei impõe e não se perspetiva quando poderão gozar os milhares de dias em dívida», refere o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) num comunicado que a Lusa cita.

Ainda sobre as razões para os dois dias de greve nacional, Guadalupe Simões frisou que há «em todos os hospitais milhares de dias em dívida» aos enfermeiros, devido a folgas por gozar, que criam «processos de exaustão».

A paralisação serve precisamente para contestar esta situação e lutar pela contratação de mais enfermeiros.

O SEP exige ainda uma valorização da profissão, as 35 horas semanais de trabalho para todos, a progressão na carreira e a reposição do valor das horas suplementares e noturnas.